Vendilhões do orçamento federal

Vendilhões é o plural de vendilhão e significa bufarinheiros, mascates, vendeiros, vendelhões.
A propósito, narram os Evangelistas Marcos e Mateus, sobre mais uma passagem da vida o Espírito mais evoluído que esteve encarnado na Terra: ‘Chegaram pois a Jerusalém. E havendo entrado no templo, começou a lançar fora os que vendiam e compravam no templo; e derribou as mesas dos banqueiros, e as cadeiras dos que vendiam pombas; e não consentia que qualquer transportasse móvel algum pelo templo. E ele os ensinava, dizendo-lhes: Porventura não está escrito que a minha casa será chamada casa de oração entre todas as gentes? E vós tendes feito dela covil de ladrões. O que ouvindo os príncipes dos sacerdotes, e os escribas, andavam excogitando de que modo o haviam de perder, porque todo o povo admirava a sua doutrina, e tinham medo dele. (Marcos, XI: 15-18: e semelhante em Mateus, XXI: 12-13).
Jesus expulsou os vendilhões do templo, e assim condenou o tráfico das coisas santas, sob qualquer forma que seja. Deus não vende a sua benção, nem o seu perdão, nem a entrada no Reino dos Céus. O homem não tem, portanto, o direito de cobrar nada disso, lemos no Livro o Evangelho Segundo o Espiritismo, uma das cinco obras da codificação kardekiana.
Jesse de Souza, em artigo publicado na Folha BV, de Boa Vista, Roraima, cometa a passagem dizendo tal fato teria ocorrido alguns meses depois de Jesus ser batizado e foi a Jerusalém, onde havia uma multidão para comemorar a Páscoa, quando o hábito era oferecer sacrifícios de animais, atraindo várias pessoas que aproveitavam a oportunidade para vender animais aos fiéis que chegavam a Jerusalém.
Então, quando Jesus chegou ao templo, logo observou vendedores de ovelhas, bois e pombas, pessoas que estavam alí apenas com o propósito de ganhar dinheiro. O Mestre de Nazaré teria pego umas cordas e feito um chicote, com o que colocou as ovelhas e os bois para fora do templo. Depois derrubou as mesas dos vendedores e jogou as moedas deles no chão.
Há quem duvide que tenha sido assim, digo eu ( Akino), pois a violência não era e nunca foi um dos princípios de Jesus, que nos mostrou que Deus é amor.
Prossegue o articulista de Boa Vista: Os vendilhões do templo não apenas continuam atuado, como se sofisticaram. A bandalheira não está apenas em desviar o dízimo ou de tomar os bens dos mais miseráveis, enganados pela promessa de uma prosperidade que só enchem os bolsos dos vendilhões.
A coisa anda tão descarada que o pastor José Wellington Bezerra da Costa, um dos líderes mais influentes da Assembleia de Deus, admitiu que a igreja tem feito a intermediação do pagamento de emendas parlamentares,para eleger três de seus filhos em São Paulo, que é o maior colégio eleitoral do País. Por lá, os fiéis são orientados a votar nos candidatos apoiado pelos pastores, os quais seriam “ungidos” pela igreja.
Os três filhos do pastor, o deputado federal Paulo Freire Costa, do PL-SP; a deputada estadual Marta Costa, do PSD-SP; e a vereadora Rute Costa, do PSDB-SP) tiveram acesso a R$ 25 milhões em recursos públicos, no ano passado. São as emendas secretas que são liberadas somente a partir do pedido do pastor .
Tudo isso que foi dito por José Wellington está gravado em vídeo, durante reunião de obreiros, em, em SP. Ele disse: “O eleitorado que ali está, irmãos, não é do prefeito, mas são irmãos em Cristo que estão nos apoiando para que os nossos candidatos continuem trabalhando.” Amém, irmãos? É a corrupção ungida em nome da igreja.
Há tanta coisa para consertar no mundo, e se Jesus nem precisaria ir a cada um dos templos para encontrar vendilhões. Bastaria dirigir-se a Brasília, onde muitos costumam se reunir para negociar a fé de suas ovelhas e votos .
E para concluir, digo eu, nem vamos aprofundar em análise sobre a atuações dos pastores Gilmar e Arilton que ,aparentemente, com as bênçãos de Bolsonaro, tinham livre acesso à gestão do Ministério da Educação, como verdadeiros vendilhões do orçamento federal, gerando um escândalo que derrubou o titular da pasta, o também pastor, Milton Ribeiro, por quem o presidente chegou a dizer que colocaria a cara no fogo.
(Ilustração: Rembrandt Harmensz Van Rijn (1606-1669) – Cristo expulsando os vendilhões do templo)
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