Padre Almeida

Vieram uns anjos, levaram Toninho e o colocaram sorrindo no colo de Deus. Maringá acordou chorando de saudade na terça-feira, 12 de julho. Despedia-se de nós uma das pessoas mais queridas com as quais tivemos o privilégio de conviver.
Conheci-o bem mocinho, quando ele era ainda seminarista. Acostumei-me a chamá-lo de Toninho, acho que por um motivo simples: ele tinha jeito de Toninho, depois conhecido como Padre Almeida. Nos momentos solenes, Monsenhor Antônio de Pádua Almeida.
Nasceu paulista em Caconde (29.11.1942). Desde menino sentiu forte vocação para o sacerdócio. Veio para Maringá a convite de Dom Jaime Luiz Coelho, que o encaminhou para o seminário em Curitiba. Em 1966 tive a alegria de estar presente na cerimônia em que ele foi ordenado por Dom Jaime, na antiga catedral de madeira, ao lado do seu inseparável colega-amigo-irmão Ori (Monsenhor Orivaldo Robles).
Toninho e Ori ficaram logo conhecidos como “os padres jovens da arquidiocese”, liderando um notável trabalho de animação apostólica junto a uma valorosa geração que marcou época na história da Igreja local. Centenas de rapazes e moças passaram pelos encontros de formação promovidos pelos dois durante vários anos.
Orivaldo foi para a Casa do Pai em 2019. Almeida foi agora. Lá em cima devem ter feito uma bela festa pelo reencontro.
Toninho foi uma das pessoas mais preparadas e inteligentes que conheci. Além do seminário, fez vários cursos de especialização no exterior e era um estudioso incansável. Com a sua fala serena, conseguia explicar questões complicadas com extraordinária clareza. Suas homilias valiam sempre como verdadeiras aulas.
Num verão dos anos 1970 ele passou uma semana com a nossa família em Balneário Camboriú. Naqueles dias conversamos bastante – uma conversa inesquecível. Para mim, foi como um precioso minicurso de cristianismo. Aprendi também muito com ele e com o bom Ori nas diversas vezes em que estivemos juntos nos Cursilhos e em outros serviços de Igreja. Deixaram uma saudade enorme.
Para a arquidiocese o Padre Almeida foi um sacerdote extremamente importante. Não só como titular de diversas paróquias, mas também como primeiro coordenador da Pastoral Arquidiocesana e responsável por numerosas outras atividades eclesiais.
Deus o escalou para ser padre em Maringá num momento em que a geração pioneira estava ainda fincando os alicerces da cidade. Coube-lhe, ao lado dos nossos primeiros sacerdotes, religiosos, religiosas e outros agentes pastorais, ajudar Dom Jaime a lançar aqui as primeiras sementes da fé católica.
Muito obrigado, Toninho. Dê aí no céu um forte abraço no nosso querido Ori.
(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)
Arte spbre reprodução/YouTube/Arquidiocese)
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