E Bellucci não recebeu o crédito…

Placas no totem não citam o idealizador do projeto original da praça

A falta de preocupação com a preservação da história de Maringá é algo endêmico. Nenhuma gestão se manifestou de fato, nos últimos tempos, em preservar a história da cidade, que nem sequer chegou aos 76 anos. Não fosse uma ou outra iniciativa, com interesses mais comerciais que históricos, pouco restaria de registros da construção e evolução da terceira maior cidade do Paraná.

Não é preciso citar promessas, como a de um museu nas antigas instalações do antigo Aeroporto Gastão Vidigal, prédio histórico mas depredado, nem no sumiço do chafariz da praça Raposo Tavares, da primeira e única estação ferroviária, nem chorar a derrubada da estação rodoviária. Mesmo alertada, a prefeitura nada fez para restaurar a praça Napoleão Moreira da Silva, doada pela Companhia Melhoramentos Norte do Paraná em meio a uma queda de braço com uma das administrações municipais. Preferiu reformular, renovar, mudar o desenho de José Augusto Bellucci, nos anos 1960, ao invés de preservá-lo e restaurar a forte estrutura que por lá existia, trocando-a em parte por material de baixa duração, por mais de R$ 4,5 milhões.

Nas placas colocadas num totem iluminado com o nome da “nova” praça aparecem os nomes de prefeito, vice-prefeito e secretários. Só não há referência a Bellucci, cujo nome chegou a ser utilizado em material divulgado pela prefeitura para dizer que estava fazendo sua parte, quando se tornou público que não haveria restauro.

O arquiteto José Augusto Bellucci é o responsável pelo desenho da Catedral de Maringá, do Grande Hotel (Bandeirantes), pela igreja matriz de São Jorge do Ivaí, pela deformada praça Napoleão Moreira da Silva e até pela praça Regente Feijó, que fica na Vila Operária e está com a reforma paralisada há muitos meses. Não dar a devida importância à história pode parece ser moda.

Foto: JC Cecílio