Triplex e sítio versus ‘Joias das Arabias’

A lava jato denunciou e condenou ao então ex-presidente Lula por, supostamente, ter sido beneficiado com reformas e adaptações, feitas por empreiteiras com obras realizadas em seus governos, especialmente em negócios com a Petrobrás, em apartamento triplex no Guarujá e um sítio em Atibaia, cujas propriedades, embora não formais, seriam dele.
Posteriormente, por questões processuais, as condenações foram anuladas e os processos praticamente voltaram à estaca zero, o que serviu para a declaração de inocência, ‘limpeza de sua ficha’, o que lhe permitiu candidatar-se e ser eleito presidente da república.
Culpado ou inocente? Legalmente inocente, mas os não simpatizantes do PT o consideram o maior corrupto da história do Brasil e o acusam de ser ‘ ladrão’, o que é uma injustiça, pois a corrupção, inegável, em seus governos foi uma ‘parceria’, com outros partidos, como PP, PMDB, PL, e outros do centrão, o mesmo centrão parceiro de Bolsonaro.
Agora estourou o escândalos das’ joias das arabias’, no valor de R$ 16,5 milhões, que teriam sido dadas de presente para a então primeira dama, trazidas numa mochila por um assessor do então Ministro de Minas e Energia, não declaradas à RFB na entrada, que as reteve, numa época em que, por coincidência, a Petrobrás (sempre a Petrobras) negociava a venda de uma Refinaria para um Fundo Árabe, por valor questionado (há quem diga que foi baixo).
Estranho, muito estranho, tudo mal explicado, tanto quanto mal explicados foram os casos do triplex e do sítio de Atibaia que teriam sido ‘presentes’ para Lula.
Para complicar, ainda mais, Michelle diz que não sabia do presente. Os mais racionais podem pensar que, então, não sendo presentes, poderia ser propina.
Será? Alguém levantou, além da possibilidade de propina, a de ser tentativa de apropriação indébita (no popular roubo), de presentes que por lei seriam da União e não particular para a família do ocupante da cadeira da presidência.
O que acontecerá, juridicamente, para Bolsonaro? Ele já começou a se defender, dizendo que nada tem a ver com o caso, que não pediu, nem recebeu presentes, assim como Lula sempre disse que não era dono do triplex, nem do sítio.
Penso que as joias serão incorporadas ao patrimônio da União, leiloadas e os recursos destinados para um programa especial, com repercussão política (o presidente Lula saberá usar bem) .
E para finalizar, a conclusão é que a partir de agora, quem chamar Lula de ladrão, terá que fazer o mesmo com Bolsonaro, e nos dois casos estará, talvez sendo injusto.
Lula, no caso do triplex e do sítio, é tão inocente como Bolsonaro o é no caso das joias. Pessoalmente, como diria Bolsonaro, não colocaria a cara no fogo, em nenhum dos dois casos, mas certamente há muitos petistas que o fazem por Lula e bolsonaristas mais radicais, que se atirariam de corpo inteiro em qualquer fogueira para defender a ‘santidade do mito’.
Eu disse os mais radicais, pois alguns já começaram entender que ele seria um ‘santinho do cavalo oco’, digo, do pau oco (desculpem o trocadilho).
Para quem não entendeu, as joias estavam escondidas numa escultura de cavalinho, o que indica a intenção de enganar a fiscalização e agora se sabe que outras peças passaram e só mais de um ano depois foram incorporadas ao patrimônio da União, ao que parece, já pensando em justificar as coisas que não foram pegas pela Receita.
Tudo, tudo, repito, tudo muito estranho, para dizer o mínimo. E voltando ao título, os casos são bem parecidos, escândalos, mas o último parece mais grave.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
*/ ?>
