Acim formaliza: é contra feriado do Dia Nacional da Consciência Negra

Empresários da Associação Comercial e Empresarial e Comercial de Maringá entregaram hoje ao presidente da Câmara, Mário Hossokawa (PP), um ofício em que se manifestam contra o projeto que cria o feriado da consciência negra, em 20 de novembro.
Calculam que Maringá, onde o comércio abre sábados, domingos e feriados (incluindo religiosos), parte dele 24h por dia, arrecada R$ 77 milhões por dia e questionaram a criação de mais um feriado. A entidade ofereceu em troca fazer “campanhas de conscientização e sensibilização em suas plataformas de mídia social e de comunicação, com a promoção de eventos e atividades educativas ou oferecerão apoio a projetos e organizações que atuem em áreas relacionadas à igualdade racial e à redução de desigualdades sociais”.
Não havia nenhum negro entre os empresários que participaram da entrega do ofício no Legislativo, o que nos leva a uma pergunta: alguém conhece algum comerciante negro que tenha sido escolhido Empresário do Ano em Maringá, prêmio outorgado pela entidade? Pois é. Não criar o feriado, que hoje é municipal em 1.260 cidades e estadual em cinco estados (a maioria, desde 2011), não vai ajudar em nada a mudar essa realidade tão desigual.
Lembre-se que 54% da população brasileira, em tese também consumidora, é formada por negros, que o Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão, em 13 de maio de 1888, e que o chamado trabalho análogo à escravidão está batendo números recordes este ano. Talvez tudo se resolva não permitindo um feriado – ou aprovando um feriado nacional, como o proposto pelo senador Paulo Paim (PT-RS).
Foto: Ivan Amorin
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