A deputada estadual Maria Victoria Borghetti Barros (PP) postou no Facebook hoje, Dia do Hospital, que o Hospital Municipal da Criança de Maringá “nasceu do sonho de garantirmos saúde e tratamento de qualidade mais perto para as famílias da região”. Quando a ideia da família Barros foi divulgada a promessa era atender a crianças de outras cidades e estados.
Isso foi no final de 2017, e embora prometido em 2018 para ficar pronto em alguns meses o hospital era para estar pronto no máximo em agosto de 2019. A postagem da parlamentar, que ficará 6 meses trabalhando de sua residência, foi sucedida de outra, registrando o nascimento de mais uma Maria da família: Maria Stefânia fará companhia a Maria Antônia e Maria Valentina.
Quando o Hospital da Criança de Maringá foi anunciado e garantiu à deputada a reeleição em 2018 e 2022, ela ainda não era mãe. Como observou um leitor, lendo o que a parlamentar escreveu na rede social, o sonho do HC tirou o sono de muita gente. Até hoje, passados quase 6 anos do anúncio, mais cinco anos da assinatura de contrato da prefeitura com a ONG Organização Mundial da Família, que tem sede em Curitiba e Maria Aparecida Borghetti Barros, sua mãe, que foi candidata a governadora, como embaixadora, também fez mais de cinco anos que a ordem de serviço foi assinada, quando seu pai, Ricardo Barros, era ministro da Saúde.
De lá para cá passaram-se três eleições e o hospital permanece fechado, vivendo à base de notícias que não se traduzem em atendimento. O valor inicial de R$ 124 milhões passa hoje de R$ 160 milhões, com base nos números do governo do estado, e na conta não entram os gastos com a vigilância desde que a obra foi interrompida, pois foram esquecidos projetos de rede óptica lógica e ar-condicionado. Ao que se informa, seria preciso a construção de dezenas de rampas para o hospital começar a funcionar completamente, o que dificilmente acontecerá pois os custos mensais variam entre R$ 14 e R$ 20 milhões); até agora, foram garantidos R$ 3 milhões mensais da prefeitura e do estado, com data de término: o repasse vai durar 48 meses. Não se tem confirmação de eventual ação do município contra a OMF.
Recentemente foram gastos R$ 5.165.751,80 para a implantação de rede lógica óptica GPON (Gigabit Passive Optical Network), sem o qual o nosocômio não poderia funcionar. Daqui a dez dias, o poder público vai realizar licitação para comprar aparelhos ar-condicionado para o hospital e da Secretaria de Saúde, tendo-se reservado R$ 1.453.798,00 para tal. As duas licitações representam mais de R$ 6,6 milhões.
No meio da história que envolve atrasos e milhões a mais do que o previsto – como confirmaria qualquer busca no Google no final de 2017 -, viagens em primeira classe de avião em voos internacionais e lagostas consumidas pela presidente da ONG e busca de proveito político, há a expectativa para que o hospital comece a funcionar – não efetivamente, mas atendendo inicialmente como ambulatório. O certo é que em 2024 vai ter a quarta eleição desde o anúncio do hospital, e ele estará na pauta dos candidatos.
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