Tese lembra que planejamento estratégico da cidade canaliza para o setor imobiliário
A tese de doutorado em Geografia defendida na UEM por Ricardo Luiz Töws é de 2015, já foi citada aqui em 2016, mas continua mais atual que nunca. Leva o título de “Grandes projetos urbanos como reprodução da lógica do capital em Maringá”, que teve como orientador o professor Cesar Miranda Mendes.
Verdadeiro documento histórico, é indispensável para se compreender como funciona o desenvolvimento estratégico da cidade, que inclui interesses e anúncios espetaculosos, muitos dos quais não acontecem.
Ele comenta também sobre os projetos Maringá 2020, 2030 e 2047, e cita as estratégias para cumprimento de diretrizes, e ao menos uma delas nos daria hoje motivo para debates éticos: “Proporcionar estrutura para receber famílias de alto poder aquisitivo, tais como de executivos de grandes empresas internacionais, implantando equipamentos como escola internacional e escola para bem dotados, oferecendo para tanto incentivos e benefícios fiscais”.
Outro trecho: “Percebemos que o planejamento urbano, herdado da iniciativa privada desde o início do processo de colonização, foi abraçado por diversas gestões para justificar suas intervenções na cidade. Apreendemos também, que o planejamento passou por fases diferentes, constando nisso, uma novidade.
Neste processo, ficou evidente que as pessoas que participaram das gestões e se locupletaram com a iniciativa privada, sempre tiveram em mente fazer do ente público a “extensão do quintal de suas casas”, não entendendo-o como bem público para todos os cidadãos, antes, entendendo-o como possibilidades de realização de seus interesses. Partiram do princípio generalizante, em que o convencimento das ações e estratégias para a população, poderia ser a grande saída para a manutenção da paz social e da formação de uma alienação social. Essa alienação social só foi possível pois ‘a sociedade’, como os agentes gostam de chamar, foram convencidos, no decorrer de diversas gestões, de que o planejamento que era feito para a cidade era para todos os cidadãos, quando, na verdade, sempre foi apenas a manutenção do modelo socioeconômico oriundo da própria formação do Estado Nacional, e reproduzida no local, que é a manutenção de uma hegemonia”.
A tese cita nomes de “articuladores entre o Estado e a iniciativa privada, porém só este trabalho daria uma outra investigação, uma vez que somente o plano Maringá 2030 teve 127 assinaturas de pessoas vinculadas às lideranças, entidades, iniciativa privada, poder público ou todas as instâncias juntas. Logo, percebemos que há mais setores envolvidos no planejamento estratégico de Maringá, porém, todos eles canalizam para o setor imobiliário, que é o mais rentável, pois possibilita a reprodução ampliada do capital a partir da valorização fundiária e imobiliária. Portanto, elegemos (…) estes agentes como agentes estruturais, que possuem competência ou facilitações para alterar ou produzir legislações que favoreçam seus projetos”.
Töws, que tem outros trabalhos e artigos na área (um deles intitulado “A cidade como negócio”), é docente no Instituto Federal do Paraná, câmpus de Astorga. Na íntegra, aqui.
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