“O discurso vulgar na área de Maringá” foi o título da dissertação de mestrado do professor Tadeu Bento França junto à Universidade do Sagrado Coração em Bauru. A pesquisa foi baseada em entrevistas junto a ex-roceiros da periferia de Maringá, principalmente os do Jardim Alvorada, expulsos que haviam sido da terra pela geada negra de 1975.
Gravando as narrativas de nordestinos, mineiros, paulistas e migrantes originários dos mais diferentes Estados do país e complementando- as sempre que possível pela escrita, foi possível concluir que a fala caipira dos primórdios da região de Maringá apresentava surpreendentemente semelhanças com a fala do latim vulgar do passado que,depois da queda de Roma em 476 DC, sucedeu ao latim clássico do império romano ocidental.
Quando se estuda gramática histórica, denominam- se metaplasmos os fenômenos de transição linguística que, a partir do latim vulgar, surgiu a língua portuguesa.
Verificam- se os mesmos metaplasmos na fala caipira dos falantes que para cá vieram, ensejando o que entre nós já é realidade: a comunicação de nosso dia- a -dia está cada vez mais distante do idioma clássico de Portugal e enveredando- se cada vez mais por uma genuinamente nossa língua portuguesa brasileira popular.
A convite do professor Hélcius Batista Pereira, do Departamento de Letras, pós- doutor em Linguística, o ex-deputado federal constituinte participou dia 22 de um bate-papo sobre os níveis de fala, juntamente com um grupo de acadêmicos e professores da área de Ciências Humanas da Universidade Estadual de Maringá. O evento teve ainda a organização dos professores uliano Desiderato Antonio e André Luis Antonelli.
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