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O Rei, o Príncipe e o Bobo da corte

Uma monarquia improvável , onde vacas têm mais direitos que cidadãos

Na pitoresca cidadezinha do interior do Paraná, onde as vacas parecem ter mais direitos que os cidadãos, uma monarquia improvável rege os destinos dos habitantes. O palácio, que mais se assemelha a um barracão de festa junina, é o lar do excêntrico Rei da Roça, cujo cetro é uma enxada e cuja coroa é um chapéu de palha.

À sombra do monarca, o Príncipe Capacho, conhecido por sua habilidade em acatar ordens com a mesma destreza que um caipira desenrola um rolo de fumo de corda. Ele é o fiel escudeiro do Rei, sempre pronto para concordar com as decisões, mesmo que a estratégia real envolva trocar a plantação de milho por uma plantação de pipoca.

Mas a verdadeira atração do reino é o Bobo da Corte Pretensioso, que sonha em subir na hierarquia e se tornar o próximo Príncipe da Pamonha. Este Bobo, cujo chapéu é mais extravagante que os fogos de artifício da festa junina, acredita ser o Shakespeare do Paraná, embora suas piadas não provoquem mais que sorrisos constrangidos.

O Bobo da Corte, ansioso por um upgrade em seu status, tenta de tudo para impressionar o Príncipe Capacho, desde apresentações teatrais improvisadas até acrobacias dignas de um circo mambembe. No entanto, suas tentativas são tão desastrosas quanto uma plantação de abóboras no meio de uma enchente.

O Rei, por sua vez, mal nota as tentativas do Bobo, ocupado demais com suas estratégias agrícolas mirabolantes. Enquanto o Príncipe Capacho acena com aprovação automática, o Bobo tenta a sorte, sonhando em um dia ter uma coroa tão improvisada quanto a do Rei, feita de latas de sardinha e papel alumínio.

Em meio às festividades reais, onde as músicas tradicionais são substituídas por versões caipiras de hits internacionais, o Bobo da Corte continua sua busca pelo elusivo título de Príncipe da Mandioca. No entanto, sua jornada parece mais longa que a fila do banheiro na festa junina, e a paciência do Rei é tão curta quanto o pavio de uma fogueira de São João.

Enquanto o reino se deleita com suas peculiaridades, o Bobo da Corte permanece como uma caricatura ambulante, uma sombra esfarrapada de suas próprias ambições. Na cidade do interior do Paraná, a monarquia é uma mistura de comédia pastelão e drama rural, onde os sonhos do Bobo se desvanecem tão rapidamente quanto a fumaça de uma fogueira junina ao vento.

Para concluir, no fundo o príncipe quer ser o rei, que quer ser um bispo ou talvez o próprio Deus, afinal tudo que se fez na cidade, só se fez por conta de sua dinastia, e afinal o que quer ser o bobo?

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