Ora, aí fiquei sem entender
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Secretário fala em números e em cortar na carne, mas e as cinco viagens internacionais com diárias em dólar?
A propósito da prestação de contas na audiência pública de ontem – que mais parecida jogo de voleibol, com vereadores-jogadores levantando a bola para o secretário da Ferrari cortar – me chegaram observações interessantes, embora acredite pessoalmente que todos os lados têm razão.
Quando foi questionado onde vai cortar, o que vai diminuir, Carlos Augusto Ferreira respondeu que no combustível, nas diárias, e que estão cortando na própria carne. Ora, aí fiquei sem entender: carne de quem, porque o chefe do Executivo já iniciou viagem para a Europa com diárias em dólar? Foram cerca de R$ 32 mil só com o chefe do Executivo, sem contar as passagens aéreas. Para firmar gastos dolarizados, no retorno anunciou que vai retirar da cidade rumo ao exterior por mais quatro vezes – só neste primeiro ano do terceiro mandato.
Outra coisa: se não tem dinheiro, por que queriam dar aumento aos secretários, vereadores e prefeito? A ideia todos sabem surgiu do escritório do prefeito e foi imposto aos vereadores, pois nem todos toparam a ideia inicialmente. Pergunta-se: o que fizeram durante a transição?
As administrações do PP, mostra a história, realmente investiam mais, porém o Hospital Municipal operava muito abaixo da capacidade instalada, havia alas sem funcionar. A fila das creches era enorme. A maioria dos serviços era precária. Prometeram e nunca pagaram a trimestralidade. Promoções, progressões e quinquênios estavam atrasados a mais de dois anos.
Ai fica fácil investir né? Deixaram um passivo financeiro e social enorme para as próximas gestões e agora tomaram um choque de realidade, aquela que não seguiram lá atrás. Como me disse um ex-integrante da administração, apesar da aparente boa intenção, parece que imaginaram que a prefeitura seria igual a que deixaram, e por isso a impressão de que medidas urgentes podem resolver a dar conta do recado.
A bola já havia sido cantada aqui: servidores municipais de carreira acreditam terem caído no canto da sereia, imaginando que a coisa iria mudar. Mas mudou, em pontos estratégicos, para pior: há muito político, muito suplente de vereador e gente importada de municípios da região, onde a realidade é bem diferente, que estão sendo alvos de operações tartaruga, alguns mesmo de boicote. “É difícil ser comandado por quem não sabe nada de gestão publica”, resumiu um servidor.
Foto: Marquinhos Oliveira/CMM