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Eixo monumental esconde ‘arca perdida’

Primeira cápsula do tempo de Maringá, criada há 67 anos, está enterrada sob obras entre a Catedral e o Centro de Convivência Comunitária

Mais um exemplo de como a história de Maringá foi tratada de forma desleixada pelo poder público nos últimos dias: o eixo monumental, que levará o nome do primeiro bispo e arcebispo de Maringá, dom Jaime Luiz Coelho, esconde um verdadeiro tesouro sob o seu pavimento: a primeira cápsula do tempo da cidade, feita 67 anos atrás. A cápsula, na verdade a pedra fundamental da Catedral de Nossa Senhora da Glória, continha objetos da época, como pedras bentas e publicações, e foi criada por… dom Jaime Luiz Coelho.

A “Arca perdida” (uma caixa de aproximadamente 30cmx40cm) está possivelmente nas imediações da antiga praça Desembargador Franco Ferreira da Costa, um quadrilátero, que na administração Said Ferreira foi emendada com a praça Dom Pedro II; entre elas passava a rua Arthur Thomas. Juntas, formaram o Centro de Convivência Comunitária Deputado Renato Celidônio. A caixa de cimento pode, no entanto, estar localizada até antiga praça Dom Pedro II, em formato redondo, mais distante da Catedral e hoje chamada praça da prefeitura, que também está em obras e fará parte do eixo monumental.

Vista que mostra a Catedral já iniciada e as duas praças à frente

O pesquisador JC Cecílio está há anos à procura da peça. Sua instalação mereceu registro nos jornais da época e na revista “A Estampa”. “Ninguém sabe dizer onde foi depositada”, confirma Cecílio, que há algum tempo impediu a destruição de parte da calçada defronte o Grande Hotel/Hotel Bandeirantes, onde um piso registrava a passagem de 1954 para 1955, e a inscrição “Viva Maringá”. A Igreja Católica também não tem informação sobre a localização; dom Jaime faleceu em 2013, aos 97 anos.

Confira a reportagem que registrou a primeira cápsula do tempo da cidade e, abaixo da imagem, a reprodução do texto:

“Na manhã de 16 de agosto (de 1958), data essa que será sempre lembrada pelo mundo católico da Cidade-Menina, a Praça D. Pedro II regorgitava de fiéis.
É que, graças ao espírito empreendedor de S. Excia. Revma. D. Jayme Luiz Coelho, Bispo Diocesano de Maringá, eram dados os primeiros passos para a concretização de seu grande ideal: construir a Catedral N. S. da Glória e o Seminário, com o lançamento das pedras fundamentais das obras que serão motivo de orgulho não só para a cidade, como para todo o Brasil. [Abaixo, as legendas]
A bênção do local da construção foi celebrada pelo Sr. Arcebispo de Curitiba, D. Manoel da Silva D’Élboux. Na foto, o momento solene.
Dois exemplares de O Jornal de Maringá, com amplo noticiário sobre o magno acontecimento, foram enterrados juntamente com as pedras bentas
O diretor de A Estampa e O Jornal, sr. Ivens Lagoano Pacheco, na cerimônia de fechamento da urna
Nesta sequência, veem-se, no ato de lacrar a urna, os srs. Dr. Herman de Moraes Barros, Néo Martins, Gastão de Mesquita Filho e, finalmente, o sr. Arcebispo de Curitiba”.

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