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Um projeto inviável?

Estudo de 2022 apontou que, com a instalação de data center, Maringá teria que indisponibilizar 30% de energia elétrica fornecida a todo o município

Anunciada em janeiro, a implantação de um data center em Maringá, que seria o maior da América Latina, poderá impactar o consumo de luz e a água, como alertam especialistas. Um estudo feito especificamente para Maringá, em 2022, mostra que é possível acontecer como em estados norte-americanos, como Texas e Arizona, e faltar energia elétrica e água para a comunidade.

A demanda de energia em Maringá, para a sustentação de um data center considerado médio, obrigaria a desligar 30% da energia elétrica fornecida ao município. Uma empresa chinesa pensou em se instalar na Cidade Canção há alguns anos, mas desistiu diante de alguns motivos.

A interferência eletromagnética é um deles. É preciso certificar-se de que os equipamentos do data center não interfiram com os sistemas de navegação e comunicação do Aeroporto Regional Silvio Name Junior. É nas proximidades do aeródromo que a prefeitura reservou área de terras para a implantação da empresa.

Há ainda a questão da segurança. A proximidade do aeroporto pode exigir medidas adicionais de proteção. O impacto do ruído e da vibração gerados pelo tráfego aéreo nas operações do data center também tem que ser levado em consideração.

Além disso, para ter o data center será preciso que Maringá tenha uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), e o município não se enquadra nas exigências governamentais atuais, pois não é uma cidade de baixa renda. O programa existe para atender locais que precisam de investimento em emprego e renda e em Maringá, comprovam os dados oficiais, chega a sobrar vaga de emprego. Caso, por alguma razão, se aprove a instalação de um data center conforme o divulgado em Maringá, abrir-se-á um precedente para todo o Brasil.

Impactos socioambientais – De acordo com Laís Martins, na reportagem “A boiada da IA”, do The Intercept Brasil, desde o início do governo Lula, mais de 80 reuniões com pelo menos 200 autoridades federais na Esplanada dos Ministérios trataram de data centers, segundo dados da agenda oficial das autoridades. O Ministério do Meio Ambiente não participou de nenhuma.

“A implementação dessas infraestruturas pressupõe impactos socioambientais e climáticos gigantes: consumo intensivo de energia e água, uso de território, geração de resíduos — tudo isso em um contexto em que o mundo já vive um colapso socioambiental causado, justamente, por decisões que desconsideraram essas mesmas questões no passado”, disse ao Intercept Brasil Julia Catão Dias, coordenadora do programa de Consumo Responsável e Sustentável do Instituto de Defesa de Consumidores, o Idec. Segundo ela, a implementação de data centers não pode ser guiada exclusivamente por interesses econômicos e pela lógica da atração de investimentos a qualquer custo, diz a reportagem, que pode ser lida aqui.

Foto: Paul Hanaoka/Unsplash

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