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Elo frágil (ou já esgarçado) entre comando e tropa

Em cidades grandes, a presença do prefeito em unidades da gestão municipal sugere interpretações que não convergem, necessariamente, com preocupação

Em cidade pequena, daquelas com menos de 10 mil habitantes, é comum o prefeito, sem muita agenda para cumprir, ir pessoalmente em unidades da gestão municipal, como escolas, creches e unidades de saúde, para verificar o andamento do trabalho. Já em cidades grandes, aquelas com quase 500 mil habitantes, a presença do prefeito nesses locais sugere interpretações que não convergem, necessariamente, com preocupação.

Ou não confia nos subalternos, mais especificamente nos secretários e seus diretores, ou quer passar a falsa ideia de gestor popular, que gasta sola de sapato nas ruas, inspecionando pessoalmente o caminhar da gestão. Busca reafirmar aquele perfil populista, que em nada muda a percepção do cidadão e muito menos do servidor. Pior: não resolve absolutamente nada e serve apenas para criar conteúdo para redes sociais.

Soa patético o comportamento e indica que algo não vai bem numa gestão, a começar pela agenda frouxa que não posiciona o prefeito na sala de controle e dali conduz a tropa. General na frente de batalha indica que o elo entre comando e a tropa ou está fragilizado ou já se rompeu. Mas é preciso fazer um reparo nesse rigor: quando o gestor visita, confirma irregularidades e na sequência toma drástica medida, o patético torna se dramático e ganha alguma seriedade.

Do contrário, é o que é: esforço populista que apenas desenha contorno triste de uma gestão perdida na pauta ou tentando encontrar um norte em áreas sensíveis, como saúde e educação. Resta a sensação para o cidadão que a falta de planejamento (ou plano de governo) é o mal que desafia gestores públicos, sempre reféns de equipes arranjadas para ele como aqueles casamentos em que o dote fala mais alto. Qualquer associação ente uma coisa ou outra é mera especulação.

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