Você já ouviu falar em ilha do plástico?

Trata- se de uma grande área de solidez entremeada pelo plástico entre a Califórnia e o Havaí com dimensão que equivale a três vezes o território da França

A verdade é que do entupimento dos bueiros, passando às toneladas nos leitos dos rios e mares que se vingam na forma de colossais enchentes, o plástico está no topo da degradação do meio ambiente.

Derivado do petróleo, do inocente óleo de cozinha, passando pelo chorume, por pesticidas, por resíduos sólidos e metais pesados, a reciclagem mundial do plástico está longe de acompanhar a explosão mundial do vilão. Para um início de conversa, somente uma garrafa pet dificilmente se decompõe antes de 600 anos, as fraldas descartáveis subsistem até 450 anos, os vidros podem durar até 01 milhão de anos e o cotonete usado por você prosseguirá por outros 450 anos.
Nas profundezas dos oceanos, 15 por cento das espécies marinhas já deixaram de existir, vitimadas que foram pelo caos dos emaranhados plásticos.
Dádivas a garantir a vida, a quase totalidade dos nossos rios transformou- se em resíduos de esgoto doméstico e de um sem-número de lixo industrial comandado pelo plástico. O Ibama e a Marinha quedam-se impotentes ante o império do lixo que segue transformando progressivamente as nossas praias em áreas impróprias para o banho.

Pensando bem, será que os nossos pais e avós não foram mais sábios do que nós? Eles usavam canecas, sacolas, caixas de papelão embalagens de louça, fraldas de pano e coletores menstruais ou a modernidade escravizada ao império do plástico somente vencedor pela aparência, mesmo porque é o plástico, sem sombra de dúvida, quem está ameaçando traiçoeiramente o futuro de todas as formas de vida no planeta.


(*) Tadeu França
ex- deputado federal constituinte

Foto: Karen Anne Kolling/Reprodução (7 anos atrás)