A brincadeira parece ser levada a sério para diversão do clero e da nobreza, o topo da hierarquia medieval, enquanto os servos lutam contra as dificuldades para sobreviver
Ainda acredito que os vereadores metidos em trajes medievais, ou pelo menos acreditaram que assim estavam vestidos, é uma produção criada, dessas que se inventam no ambiente virtual com artificialismos inteligentes. Não se prestariam a esse papel para agradar o rei, se submetendo ao papel de súditos (ou seriam servos?) para diversão da nobreza. A festa não justificaria o rídiculo, nem em troca de um feudo.
A brincadeira parece ser levada a sério para diversão do clero e da nobreza, o topo da hierarquia medieval, enquanto os servos lutam contra as dificuldades para sobreviver. Difícil não resgatar o ‘período das trevas’ e associá-la ao momento histórico, com guerras, fome e pestes. Não há festa nesse mundo, como acreditam quem busca celebrar um tempo de miséria e sofrimento comum ao medievalismo.
Há quem acredite que é só diversão e não enxerga um exercício de dominação por uma elite sempre ávida pelo poder, que reforça o conceito de nobreza para impor-se sobre súditos que ainda acreditam e têm esperança. Na parte debaixo da hierarquia social não tem donzela e muito menos cavaleiros de armaduras, como faz supor a mensagem subliminar da festa apresentada como ativo turístico.
Maringá dos pioneiros, dos imigrantes de tantas etnias não tem correspondência no período medieval encerrado antes da descoberta do Brasil, quando os turcos otomanos tomaram Constantinopla e deram um fim ao Império Bizantino. A tentativa de inventar festa que celebra o período é dessas ideias mirabolantes, senão delirantes que encontram encontram alguns exemplos igualmente bizarros.
O revestimento externo da catedral em mármore negro, o restaurante giratório no topo de uma torre na Praça da Antenas (Praça Pio XII), o teleférico sainda da Praça Manoel Ribas, descendo pela Tiradentes, cruzando o Parque do Ingá, e, o VLT na avenida Brasil, ocupando o canteiro central, ligando a Praça Ivaí ao antigo aeroporto, e, mais recentemente, a passarela sobre o Bosque 2 são alguns exemplos desses delírios.
Na indumentária de cada vereador, em se acreditando que aquilo é real, o que ainda acho ser fruto de IA, se expressa não só desconhecimento e ignorância, mas conivência com um modelo de hierarquia social que fortalece a nobreza e empurra ainda mais para baixo o clero, aquele cidadão que não vive num mundo de fantasia e espera que os políticos tirem as máscaras e enxerguem a realidade. Chega de delírios. Oremos!
