Rainha sem trono e projeto sem dono

A inversão de papéis é quase uma comédia de erros — presidente nervosa, vereadores confusos e um líder do prefeito mudo

Depois de muito tempo sem assistir a uma sessão da Câmara, retornei hoje e logo fui presenteado com um espetáculo peculiar. A presidente Majô, de forma quase teatral, parecia mais preocupada em sustentar o nariz empinado do que em conduzir os trabalhos da Casa. A cena foi digna de nota: autoridade não se confunde com arrogância, mas parece que a linha ficou borrada.

Não bastasse, a condução do debate sobre o polêmico projeto do voucher escolar mostrou uma presidente mais nervosa do que firme. Foi deselegante com a colega Ana Lúcia, grosseira com Flávio Mantovani e igualmente ríspida com Mário Verri. O curioso é que, ao invés de esclarecer dúvidas, como seria seu papel de moderadora, Majô parecia perder-se em justificativas vazias. E quem deveria defender o projeto, o líder do prefeito, sequer entrou em cena — talvez porque o texto nem tenha vindo do Executivo.

E aí está o ponto mais tragicômico do dia: um projeto que tem cara, cheiro e jeito de Executivo sendo puxado por vereador. A inversão de papéis é quase uma comédia de erros — presidente nervosa, vereadores confusos e um líder do prefeito mudo. No fim, fica a impressão de que a Câmara decidiu brincar de Prefeitura, e que Majô quis vestir a coroa de imperatriz… mas esqueceu que o trono é emprestado e o espetáculo, no máximo, uma sátira mal ensaiada.

Foto de Marquinhos Oliveira alterada por IA