Notas e contradições


Plural por natureza, Maringá não pode aceitar que se pregue extremismos na tribuna, na rua ou em desfile cívico
Será que vem nota por aí? Em Maringá, a Câmara Municipal tem esse hábito quase literário de se pronunciar sobre tudo, sempre em tom solene, como se fosse árbitra da moralidade pública. Depois das declarações desastradas de uma vereadora do PP no desfile de 7 de Setembro, não seria surpresa se mais um comunicado oficial viesse para o palco das redes sociais.
O problema é que não estamos diante apenas de um tropeço verbal. Quando se usa a tribuna, a rua ou até mesmo um desfile cívico para pregar extremismos, abre-se uma ferida que a cidade não merece carregar. Maringá, plural por natureza, não pode aceitar que se tente plantar aqui um discurso que só divide e acirra ânimos, enquanto a população pede equilíbrio e bom senso.
E a ironia da história é que a própria vereadora já votou no PT para compor a mesa executiva da Câmara. Mais curioso ainda: seu marido trabalha justamente para um deputado que foi vice-líder do governo Lula. Ou seja, na prática o discurso extremado se esfarela diante das conveniências políticas e familiares.
Agora, resta saber se a presidente da Câmara — que gosta de reforçar sua autoridade sempre que possível — vai tomar alguma medida diante do episódio. Ou se tudo não passará de mais um capítulo do folclore político local, aquele que a gente lê, critica, dá risada e depois comenta com ironia no café da tarde.
Foto: Reprodução/Instagram
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