Ícone do site Angelo Rigon

Líder apertado no figurino de alfaiataria

Em torno do líder gravita quem aprende e respeita, inspirando-se em suas palavras e comportamento

Liderar rima com pacificar. Virtude cada vez mais rara, a capacidade é genética e aprimorada pela experiência. Há quem ostente o adjetivo na humildade, sendo ouvido e seguido quase por gravidade. Em torno do líder gravita quem aprende e respeita, inspirando-se em suas palavras e comportamento. Para ou bem ou para o mal, como tantas vezes a história registra.

Líder não se impõe. Não aplica a coação como recurso de sedução. Muito menos franze a testa, imposta a voz e, metido num figurino de alfaiataria, organiza a farta cabeleira para valorizar o discurso ensaiado em frente ao espelho. Peroração não para convencer, ser ouvido e entendido, mas para recorte de redes sociais. A claque aplaude nos comentários.

Atribui-se a liderança a quem não merece o cargo. Pior: não reúne os atributos mínimos para exercer a função, exigente em pelo menos um requisito: maturidade. Ao líder que dispara contra seus pares, mente, mas evoca a verdade como princípio, resta a conclusão de que tenta entrar no figurino que não lhe cabe, num inglório esforço para ser notado.

Há que se reconhecer que, mesmo na penugem, existe alguma precocidade, virtudes observáveis na trajetória apressada e conquistada no charme e alguma competência. Mas há um teto para a subida e pior: quando se bate lá, a tendência é perder a sustentação e estolar, com o chão como serventia do destino.

Parece que o líder apertado no traje de grife, pouco preocupado com o exercício qualificado do mandato, reproduz comportamento que alcança alguns dos seus pares, não na exigência com o figurino impecável, mas no desprezo aos representados, ou seja, o povo, aquele que outro vereador referiu-se como rico e, portanto, indiferente ao aumento de tributos. Oremos!

Imagem gerada por IA

Sair da versão mobile