A narrativa em torno da demolição do estádio e sua substituição por algum aglomerado de prédios vai arrebatando adeptos que expressam a vontade aqui e acolá, mas não sem método
A construção da narrativa é um esfoço que passa, necessariamente, pela interlocução com setores qualificados da chamada ‘sociedade civil organizada’ e a mídia ‘parceira’, aquela alinhada e, portanto, pouco disposta a constrastar o discurso oficial, ignorando assim algum princípios basilares da ética e da responsabilidade profissional.
A introdução se justifica a propósito do ruído cada vez mais audível que levanta a tese da inoperância do Estádio Willie Davids e, portanto, disponível para fim nada aceitável, considerando a memória que mora em suas arquibancadas e repousa em seu gramado, outrora mais verdejante, cuidado e preservado.
A narrativa em torno da demolição do estádio e sua substituição por algum aglomerado de prédios, fixação que a cidade adotou como patologia nos anos 1980 e segue fincando arranha-céus como indicador de modernidade e desenvolvimento, vai arrebatando adeptos que expressam a vontade aqui e acolá, mas não sem método.
As formas socialmente não autorizadas de circulação da informação, o que se conhece como boatos ou rumores, são na verdade recursos técnicos de construção da narrativa que interessa ao emissor de origem. Na prática, é uma forma rasteira de produzir uma ideia aceitável a partir de argumentos com alguma lógica até que o boato vire fato.
As declarações de secretários municipais, portanto, agentes bem posicionados na hierarquia pública, reverberam em instâncias que se arvoram decisivas, como associações que reúnem categoria econômicas, interessadas na exploração do espaço urbano indiferentes ao lazer e qualidade de vida. História e memória seriam ainda mais descartáveis.
As falas dos secretários, portanto, devem ser entendidas num contexto perigoso de uso do boato como estratégia de aliciamento para a construção da narrativa da obsolescência do estádio e a necessidade de substituí-lo por alguma estrutura que consideram mais útil – ou lucrativa! Não há ilusão nesse mecanismo, tantas vezes já usados na história – para o bem, e para o mal.
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