Demissão de presidente do Conselho de Promoção da Igualdade Racial, que ocupava cargo comissionado na Câmara de Maringá, seria retaliação
A demissão da assessora especial da Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal, Gislaine Gonçalves, conhecida como Mãe Gi, provocou hoje a divulgação de nota de repúdio do Fórum Maringaense de Mulheres.
Ontem, também em rede social, Gislaine comunicou sua exoneração pela presidente Majorie Catherine Capdebosq (PP), lamentando que sua demissão ocorra no mês da consciência negra. Para ela, a sua saída representa “um ataque ao trabalho sério e comprometido de acolhimento às mulheres vítimas de violência que vínhamos realizando com tanto empenho”. Mãe de santo, ela preside o Conselho de Promoção da Igualdade Racial e já presidiu o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
Mãe Gi foi indicada para o cargo pela vereadora Ana Lúcia Rodrigues (PDT), que votou em Majô duas vezes: para primeira secretária e depois para presidente do Legislativo. Por isso, a exoneração de cargo indicado de forma política pela vereadora é tida como uma retaliação a críticas que tem feito à administração municipal, inclusive com denúncias feitas junto ao Ministério Público Estadual. A criação da Procuradoria da Mulher na Câmara foi uma iniciativa de Ana Lúcia.
Na nota de hoje, o Fórum Maringaense de Mulheres manifestou indignação e repúdio em relação à exoneração e frisou que ela tem realizado um trabalho de acolhimento e encaminhamento para as mulheres em situação de violência, “com dedicação, profissionalismo e respeito”. Além de ser a assessora na Procuradoria da Mulher, Gislaine Gonçalves é presidente do Conselho da Igualdade Racial e representante das religiões afro no Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, tendo sido presidente na gestão anterior. Seu trabalho é reconhecido pela comunidade e contribui, sobremaneira, para a busca da igualdade racial e da defesa dos direitos das mulheres. Assim, solicitamos a presidência da Câmara que reveja a exoneração imposta, Também, nos causa indignação o significado de exonerar uma mulher negra militante e representante das religiões afro no mês da consciência negra, desrespeitando sua trajetória e seu trabalho.
Foto: Reprodução
