Petição pede adiamento da discussão sobre a mudança na previdência municipal

Grupo de servidores pedem que projeto do Executivo sobre a reforma da previdência municipal não seja pautado para discussão e votação neste final de ano

Uma petição online está coletando assinaturas de servidores públicos municipais pedindo ao Legislativo maringaense que a proposta de emenda à Lei Orgânica do Município, que altera a previdência municipal, não seja pautado para este ano.

Na semana passada, dois dias depois de receber a proposta enviada pelo prefeito Silvio Barros II (PP), três integrantes da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara abriram prazo de 21 dias para apresentação de emendas; após este período o plenário decidirá a respeito. Servidores pode assinar aqui o pedido para que a tramitação seja suspensa.

A petição traz uma correspondência, assinada hoje, e encaminhada também ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná. Confira o teor, com as justificativas:

A minuta da proposta legislativa foi disponibilizada apenas em 10 de novembro de 2025 e, sem qualquer debate prévio com os servidores, que constituem os maiores interessados e diretamente atingidos pelas alterações previdenciárias, o projeto foi imediatamente submetido a rito célere de tramitação. Ainda, estabeleceu-se o exíguo prazo de 15 dias para apresentação de emendas pelos vereadores, lapso manifestamente incompatível com a complexidade técnica, jurídica e atuarial da matéria, estando ausente, portanto, qualquer justificativa plausível para que uma reforma de tamanha relevância e impacto social seja conduzida de maneira tão apressada.
Considerando-se tratar de alteração estrutural e permanente no regime previdenciário municipal, tal prazo revela-se objetivamente desproporcional, afrontando os princípios constitucionais da publicidade, transparência, participação democrática, segurança jurídica, razoabilidade e eficiência estabelecidos no art. 37, caput, da CF.
Insta salientar, que trata-se de matéria extremamente técnica e sensível, cujas consequências atingirão de forma irreversível a vida funcional, remuneratória e previdenciária de milhares de servidores e que até o presente momento, não foram apresentados estudos atuariais detalhados para cada regra restritiva, tampouco foram disponibilizadas regras de transição claras, gerando insegurança quanto à aplicação da norma, ao universo de servidores afetados e aos impactos concretos sobre os direitos atualmente vigentes.
Destaca-se que a Emenda Constitucional nº 103/2019, embora tenha reformado o sistema previdenciário nacional, não impôs aos municípios a adoção automática das regras federais, conferindo autonomia para elaboração de legislação própria, inclusive com possibilidade de preservar regras mais protetivas.
Assim, eventual restrição de direitos previdenciários exige fundamentação técnica qualificada, mediante estudo atuarial individualizado que demonstre a necessidade, pertinência e proporcionalidade de cada alteração.
Ressalta-se que a tramitação acelerada do projeto, sem a necessária instrução técnica e sem diálogo amplo com os servidores, implica risco de retrocesso social, especialmente porque a minuta contém dispositivos que ampliam exigências para aposentadoria, modificam bases de cálculo e reduzem benefícios, sem apresentar justificativa atuarial específica.
Dessa forma, para assegurar o devido processo legislativo e evitar danos irreversíveis ao patrimônio jurídico dos servidores, pleiteamos a V.Sas. que este Projeto de Lei não seja pautado para votação em 2025, determinando-se previamente:
A apresentação formal e completa das regras de transição previstas no texto, com explicação detalhada de sua aplicação; a disponibilização de estudos atuariais individualizados, demonstrando o impacto de cada alteração proposta; a realização de audiências públicas e reuniões técnicas com participação efetiva dos servidores e suas representações; tempo razoável para análise e deliberação pelos vereadores, conforme exige a complexidade da matéria; clareza e publicidade dos fundamentos jurídicos, financeiros e atuariais que justificariam eventuais restrições de direitos.
Oportunamente, solicitamos ainda que este Ofício seja juntado aos autos legislativos e considerado pelos(as) Vereadores(as) antes de qualquer decisão sobre tramitação do referido Projeto de Lei.
Por fim, dada a relevância do tema e o risco de lesão ao patrimônio jurídico dos servidores, encaminhamos cópia integral deste expediente ao Ministério Público do Estado do Paraná, para fins de acompanhamento do processo legislativo e eventual tutela do princípio da legalidade, e ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná, para apreciação quanto ao cumprimento das exigências constitucionais e atuariais.
Renovamos nossa confiança de que esta Casa Legislativa atuará com responsabilidade, transparência e respeito à segurança jurídica, garantindo que alterações previdenciárias de grande impacto sejam analisadas com a profundidade técnica e o diálogo social que a matéria exige.

Audiência pública – O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (Sismmar) convocou para as 18h30 de quarta-feira, na Câmara Municipal, uma audiência pública para discutir o tema.

Foto: Arquivo/PMM