“Enquanto a reforma avançava sem estudo atuarial adequado e sem debate amplo entre os servidores, parte da direção sindical ocupava-se com eventos recreativos e campanhas eleitorais de clube social”, diz texto enviado por servidora a respeito da reforma da previdência municipal
A postagem “Rescaldo da assembleia” gerou manifestação de uma servidora que teve um de seus comentários printados publicados no texto. Apesar de não ter ocorrido citação de nomes, e somente do grupo de WhatsApp, confira a nota encaminhada:
Em relação à matéria publicada em 10/12/2025, com o título ‘Rescaldo da assembleia’, venho, por meio deste, exercer o direito de resposta previsto na Constituição Federal. Diante do conteúdo veiculado, é necessário esclarecer pontos relevantes para que os fatos não sejam substituídos por narrativas convenientes.
Inicialmente, cumpre destacar que faltam mais de dois anos para as eleições sindicais. Ainda que houvesse qualquer interesse futuro em participar de um processo eleitoral — o que não é o caso no momento —, debater, opinar ou até mesmo manifestar a intenção de disputar uma eleição não configura irregularidade, mas sim exercício legítimo da democracia e direito de todos os servidores.
Quanto aos prints mencionados na matéria, tratam-se de conversas públicas, realizadas em grupo com a participação de diversos servidores, inclusive dirigentes sindicais. Não há segredo, bastidores ou “manobras”, apenas diálogo aberto, como se espera de qualquer entidade representativa.
Durante a conversa em questão, diversos servidores demonstraram insatisfação com a atual gestão e passaram a cogitar a desfiliação do sindicato. Diante disso, orientamos no sentido de que o sindicato é o representante legal da categoria e que a desfiliação enfraquece os servidores. Reforçamos, ainda, que o momento adequado para manifestar discordância com as decisões da gestão é por meio do processo eleitoral.
É necessário registrar que as ações efetivas contra a reforma da previdência só ocorreram após a mobilização espontânea dos servidores, que coletaram assinaturas em petição pública e exigiram posicionamento mais firme do Sindicato. Até então, a própria comunicação sindical apontava a reforma como “obrigatória”, versão posteriormente desmentida pelo advogado da entidade. Mesmo assim, até o momento, não houve protocolização de ofícios junto aos órgãos de controle, tampouco a adoção de medidas concretas de enfrentamento.
Enquanto a reforma avançava sem estudo atuarial adequado e sem debate amplo entre os servidores, parte da direção sindical ocupava-se com eventos recreativos e campanhas eleitorais de clube social. Nesse contexto, criticar servidores que buscam suprir essa lacuna de atuação não parece apenas inadequado, mas revela uma evidente inversão de prioridades.
A assembleia realizada ontem, infelizmente, reforçou essa percepção. Houve pressão institucional para que servidores com função gratificada se fizessem presentes, além da presença de cargos comissionados. Também ficou evidente que as votações foram induzidas, em um ambiente pouco favorável ao livre debate, fatos estes devidamente registrados.
Por fim, reafirmamos: participar da vida sindical não é crime, é direito. Fiscalizar, questionar e exigir transparência também. O debate democrático fortalece as instituições; o silenciamento das críticas, não.
Assinado: Servidor que teve comentários “printados”
