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Silvio e o apertado figurino de prefeito

O prefeito usa com alguma habilidade a técnica, derivando a resposta para pergunta que não foi feita

Alongar propositalmente a resposta para ‘queimar’ tempo e reduzir número de perguntas é técnica recorrente em entrevistas, quase uma regra entre políticos mais experientes. O prefeito Silvio Barros II, ainda que não se enquadre no figurino da experiência, usa com alguma habilidade a técnica, derivando a resposta para pergunta que não foi feita.

A técnica introduz outro recurso: o amortecedor, que ensina o entrevistado a derivar a resposta, concentrando no que ele entende ser mais relevante e para o qual tem argumento pronto. Na prática, exercita um discurso treinado, sem adicionar nenhuma informação nova e reafirmando o que já se sabe. Não corre risco e mantém a neutralidade.

Na entrevista concedida ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, no começo do dia desta segunda, 5, Silvio Barros II reafirmou seu comportamento blasé, quase descompromissado com a resposta efetiva e mantendo-se fiel ao figurino amarrado, sisudo, pouquíssimo permeável à descontração. Permitiu-se apenas lembrar que é vegano.

Atribuiu o aumento do IPTU a uma defasagem de receita prevista em R$ 300 milhões, atribuída à reforma tributária e à redução de IPVA. Para compensar, reio no lombo do cidadão, de onde normalmente sai o couro e correia. Nada de anunciar redução de cargos comissionados, secretarias (são 35 atualmente) ou qualquer outra medida de contenção de gastos.

Insistiu na tese do plantio, ou seja, um primeiro ano dedicado a semear para colher em 2026, mas não detalhou a semente plantada. Nada ainda do lixo zero, anunciado no plano de governo, nada do teleférico que pretende implantar sabe lá onde e muito menos sobre a ousada passarela sobre o Bosque 2, obra que ignora a imensa voçoroca no centro da reserva.

Nada sobre tarifa zero do transporte coletivo, nada sobre o destino daquelas feiosas estruturas montadas nas avenidas Morangueira e Kakogawa, que nunca se soube exatamente por que foram implantadas, e muito menos nenhuma palavra sobre a transferência da rodoviária para proximidades do aeroporto. Derivou para todos os lados, menos para estes. Conveniente!

Abordou a pista emborracha no entrono do Parque do Ingá e lanhou o ex-prefeito, a quem lembrou que vai se safar de qualquer responsabilidade, bem diferente dos comandados que seguiram suas ordens, mas nada falou sobre a situação deplorável do interior da unidade de conservação. Pensou em terceirizar, recuou e agora quer reativar a tirolesa.

Sobre a construção de duas novas UPAs, promessa emprestada do candidato do PT nas eleições, Humberto Henrique, e introduzida às pressas na campanha por Silvio Barros, agora vai sair, contrastando que o que já havia sido dito pelo seu secretário de Saúde, Antonio Carlos Nardi, nenhum pouco entusiasta da proposta. Nesse tema, secretário e prefeito não se entendem

Enfim, entrevista rasa em conteúdo, pouco provocativa em perguntas e sensação de compadrio. Silvio Barros segue incomodado com o figurino de prefeito e voltou a usar cinto na linha do umbigo, a segurar-lhe as calças outrora menos reta no corte. Era campanha e valia passar a ideia de jovialidade, disfarçando os seus quase 70 anos, que fará no dia 11 de dezembro.

Imagem gerada por IA

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