Orçamento da Câmara de Maringá salta este ano, apesar de não prever investimentos estruturais; comparação entre a gestão anterior e a atual mostra diferença de prioridades
A comparação entre as duas últimas gestões da Câmara Municipal de Maringá mostra caminhos bastante distintos na condução dos recursos públicos — um marcado pela responsabilidade fiscal e outro que levanta questionamentos quanto às prioridades adotadas.
Em 2024, sob a presidência de Mário Hossokawa (PP), o Legislativo deu um exemplo de austeridade e planejamento. Mesmo diante de um cenário que previa a necessidade de preparar a casa de leis para uma nova legislatura ampliada de 15 para 23 vereadores, a Câmara conseguiu utilizar apenas 2,57% do limite constitucional de 5% da receita municipal.
Dos mais de R$ 63 milhões requisitados, pouco mais de R$ 38 milhões foram efetivamente gastos, resultando na devolução expressiva de R$ 24,8 milhões aos cofres da prefeitura. Isso ocorreu mesmo com investimentos relevantes, como a ampliação do prédio-sede e melhorias tecnológicas, além de uma licitação de obras concluída por valor inferior ao inicialmente previsto. O resultado foi uma gestão que conciliou expansão estrutural, eficiência administrativa e respeito ao dinheiro público.
Já em 2025, embora, com valor reduzido, também tenha havido devolução de recursos — R$ 10,6 milhões —, o cenário é menos virtuoso quando analisado em profundidade. Com um orçamento de R$ 58 milhões, a Câmara gastou cerca de R$ 48 milhões, dos quais aproximadamente R$ 42 milhões foram consumidos apenas com despesas de pessoal. Os R$ 10,6 milhões devolvidos não incluem gastos com a reforma, que foram deixados como resto a pagar no orçamento anterior.
A devolução, portanto, não decorre necessariamente de uma política rigorosa de contenção de gastos, mas de um orçamento elevado que, ainda assim, não foi plenamente executado. O contraste se torna ainda mais evidente quando se observa que, para 2026, o orçamento do Legislativo saltará para R$ 82 milhões, valor já aprovado na Lei Orçamentária Anual, sob a justificativa de modernização da casa.
Esse aumento expressivo desperta críticas, sobretudo quando comparado à gestão anterior, que conseguiu realizar investimentos estruturais, preparar a Câmara para um número maior de parlamentares e, ainda assim, devolver quase R$ 25 milhões à prefeitura. A promessa de modernização, por si só, não justifica um crescimento tão acentuado do orçamento, especialmente em um contexto no qual a maior parte dos gastos continua concentrada na folha de pagamento.
Enquanto a gestão de 2024 deixa como legado um exemplo de eficiência, planejamento e compromisso com o interesse público, a atual administração do Legislativo precisa explicar melhor por que necessita de tantos recursos adicionais e quais benefícios concretos essa expansão orçamentária trará à população de Maringá. Afinal, devolver recursos é positivo, mas gastar menos com mais eficiência é ainda melhor.
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