Depois de dar férias coletivas entre 19 de dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026, Câmara de Maringá muda por conta própria a data do recesso parlamentar, contrariando o Regimento Interno
Na tentativa de justificar férias coletivas de 15 dias para todos os servidores, a direção da Câmara de Maringá recorreu a expediente pouco comum – sem ser contestada: publicou em rede social um vídeo informando recesso parlamentar até então desconhecido, inclusive do Regimento Interno da casa.
Como já narrado aqui e é prática nos Legislativos brasileiros, recesso é destinado somente a vereadores, que por sinal continuam a receber subsídios sem participar das sessões ordinárias; podem até participar de extraordinárias, mas somente no período de 16 de dezembro a 31 de janeiro. No entanto, o vídeo diz que o período de recesso legislativo é de 19 de dezembro a 5 de janeiro. Errado, portanto, pois contraria o próprio regimento, que prevê a realização de sessões ordinárias nos períodos de 1º de fevereiro a 15 de julho e de 1º de agosto a 15 de dezembro. Na prática, conta-se o ano legislativo a partir da primeira sessão ordinária (realizada terça e quinta-feiras).
A liberação de servidores durante esse período ocorreu pela primeira vez na história da Câmara de Maringá na atual gestão. Como final de semana, sempre houve rodízio de funcionários nos setores administrativos e nos gabinetes. No entanto, desta vez, o descanso foi geral. Funcionaram nesse período a recepção (terceirizada, apesar de o Legislativo possuir recepcionistas) e vigilância.
A decisão de colocar servidores e vereadores no mesmo partiu da presidência da casa, novamente sem consultar os demais integrantes da mesa executiva. O vídeo é uma tentativa de dizer que, sendo o contribuinte mal informado pelo poder público e confiando na sua ignorância, o malfeito pode acontecer “de boa”, como diz a juventude. Nem o Observatório Social vai querer se meter.
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