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Comissões da Câmara: votação ou despacho do Executivo?

Lista dos novos ocupantes das comissões do Legislativo maringaense já estaria pronta

Na próxima segunda-feira, a Câmara Municipal de Maringá terá, oficialmente, eleições para a escolha das comissões permanentes. Oficialmente. Porque, nos bastidores, o roteiro parece pronto — e não foi escrito no Legislativo.

Pelo regimento, quem escolhe são os vereadores. São 23 votos, 23 cadeiras, 23 vontades. Na teoria. Na prática, o zum-zum-zum que corre solto é que a lista já teria sido definida fora do plenário, com direito a carimbo e tudo, vinda diretamente do Executivo — com apoio de quem nem vereador é, mas manda como se fosse.

A regra informal seria simples e eficiente:
quem segue a cartilha, mantém os espaços;
quem questiona, reclama ou ousa chorar… perde os “carguinhos” no Executivo.

Democracia moderna, versão condicionada.

Curiosamente, esse mesmo clima de silêncio e disciplina absoluta também vale para outros assuntos. Afinal, nem tudo gera indignação. Há temas que passam despercebidos, quase invisíveis — como certas viagens internacionais de secretários municipais para destinos turísticos nada modestos, por exemplo. Até agora, nenhum pedido de explicação, nenhuma nota, nenhum discurso inflamado. Deve ser coincidência. Ou maturidade institucional.

Voltando às comissões, as dúvidas seguem:
• Lemuel, oposição declarada e sem vocação para figurante, continuará na CCJ, a comissão mais poderosa da Casa?
Ou oposição só é tolerada quando não atrapalha?
• Giseli Bianchini, a ‘doutora’, permanece pela técnica e pelo currículo ou dará lugar a alguém mais… alinhado?
• E o Partido Novo, agora confortável na base, garantirá uma cadeira na CCJ como certificado oficial de boa conduta governista?

Perguntas legítimas. Mas, se o roteiro que circula nos corredores se confirmar, as respostas não virão do plenário — virão prontas, embaladas e sem possibilidade de troca.

A sessão de segunda-feira promete discursos sobre independência entre os poderes, harmonia institucional e respeito ao Legislativo. Tudo muito bonito. Tudo muito ensaiado.

No fim, a eleição acontece na Câmara.
A decisão, ao que tudo indica, não.

Depois, ninguém entende por que o povo acha que a Câmara só confirma o que já foi decidido.

Imagem criada por IA

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