Na medida dos dedos, o tamanho do descuido


A arte, vista num contexto semiótico, é um exemplo do desperdício de recursos públicos que caracteriza a atual gestão Câmara de Maringá
Qual o tamanho e importância do trabalho dos vereadores? Claro que não é essa a pergunta que o zoom na arte revela, mas alguém muito criativo não considerou a margem de interpretação negativa que a arte suscita. Imagina-se que o card leve a assinatura da agência de publicidade contratada pela Câmara de Vereadores para gastar R$ 1,6 milhão, o que sugere descuido improvável.
Os dedos próximos, alinhados num movimento para exprimir tamanho num contexto de medida, sugere inúmeras interpretações a partir da percepção do cidadão para com os vereadores, geralmente nada compreensiva. A frase entre os dedos remete ao tempo que falta para o retorno das sessões presenciais na Câmara, outro amadorismo cometido no card ao desconsiderar a lógica desse tipo de comunicação.
Nesse tipo de postagem, a citação do intervalo de tempo (7 dias) perde o norte a cada 24 horas. Dia 26 fazia sentido, hoje não mais e amanhã menos ainda. Pior: entre os dedos, cabe todo tipo de frase a desmontar a responsabilidade da Casa de Leis no debate dos grandes temas de interesse do cotidiano do cidadão. Na prática, de verdade, isso não ocorre, considerando as relações nada republicadas entre Executivo e Legislativo.
A arte, vista num contexto semiótico, é um exemplo do desperdício de recursos públicos que caracteriza a atual gestão Câmara de Vereadores, que a cada momento busca alguma ‘inovação’ para drenar os cofres do Legislativo em nome da construção de uma imagem mais próxima do cidadão. Não é arte em si que fala, são seus significados e a falta de coerência numa percepção mais ampla da comunicação que lastreia as peças publicitárias da Câmara. A inovação tão propalada ainda não é visível no que o Legislativo chama de ‘campanha’.
Em tempo: um outro dedo, não visível na arte, está na posição não para indicar que o cidadão paga a conta da construção da imagem de si mesmo, mas para cumprir função bem menos ingênua. E seguimos bancando a conta por conta de temas que o Legislativo não discute, como arvora em ‘campanhas’ para reforçar papel constitucional que os vereadores não parecem estar cumprindo como se espera. O reajuste inaceitável do IPTU é um desse temas, sem falar no aumento de cargos de assessores de vereadores. O caos. Oremos!
Outro lado – Informações da Câmara de Maringá dão conta de que não se trata de material produzido pela agência contratada recentemente pelo Legislativo, e sim produzido pela casa.
Foto: Reprodução
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