Mais Montesquieu e menos Churchill


A presidente da Câmara de Maringá sorrindo ao lado do deputado que votou pela PEC da Blindagem: gestão errática e submissão tendem a cobrar dividendos políticos
Dias atrás, a presidente do Legislativo maringaense, também conhecida como Majo-stade, deslumbrada com seus micropoderes no reino feudal maringaense e suas relações de vassalagem e suserania, publicou uma foto com o deputado federal Nikolas Ferreira. Sim, o mesmo Nikolas que votou pela PEC da Blindagem, o mesmo membro da Igreja Lagoinha, supostamente envolvida no escândalo do Banco Master.
Na legenda da vereadora, um discurso bonito. Ela gosta de frases curtas, vazias e de efeito, mas que só enganam os desavisados e analfabetos políticos. Gosta de citar Churchill e outros líderes e estadistas para impressionar. Só engana os incautos. Palavras eivadas de incoerências, furos e contradições, as quais analisamos aqui, em tópicos:
°Estado mais eficiente: disse a presidente do Legislativo, que protagonizou a gestão mais perdulária dos últimos anos, enterrando a tradição de economicidade que, até então, norteava a Câmara.
°Liberdade de expressão: discursou a apoiadora de Nikolas Ferreira, na trilha que pede a liberdade de Bolsonaro, o mesmo que declarou reiteradas vezes ser favorável à tortura e afirmou que a ditadura errou por não ter MATADO “uns 30 mil”.
°Liberdade econômica: no palavreado liberal, a presidente se diz defensora do empreendedorismo e da livre iniciativa, mas aprovou, sem debate e de afogadilho, um aumento de 30% do IPTU, além de uma reforma da Previdência empurrada goela abaixo, sem ampla discussão. Uma reforma que custará mais 7 anos de trabalho às servidoras municipais. Mulheres! Cujo protagonismo feminino a presidente diz defender. O resultado de seu primeiro ano à frente da gestão é o oposto do discurso: um Estado inchado, interventor, arrecadatório e paquidérmico. Sem falar em um Legislativo majoritariamente de joelhos frente aos ditames do Executivo. A edil poderia se ater mais a Montesquieu e à harmonia dos poderes, e menos a Churchill.
A presidente parece embriagada pelo deslumbre do poder, pela bajulação e pelo empoderamento dos Barros, seus padrinhos políticos. A gestão errática à frente do Legislativo e sua postura completamente submissa ao Executivo, perdulária e centralizadora, tendem a cobrar seus dividendos políticos — altos e inevitáveis — no futuro. A pesquisa divulgada pelo Instituto Ágili, encomendada pela Rádio Jovem Pan Maringá, demonstrou a queda livre do Executivo. A conta chegará igualmente aos vereadores serviçais. Como diz o Macaco Simão: a piada já vem pronta.
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