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‘Vai colocar concreto em tudo’

Vereador defende muros ao redor de árvores e concreto em lugar da grama, tornando Maringá uma cidade mais impermeável e consequentemente mais suscetível a enchentes

Não é a toa que o vereador Cristian Maninho (Republicanos) está recebendo muitas críticas por causa de uma postagem no Instagram (veja ao final). À primeira vista parece que ele vai denunciar a contínua impermeabilização dos últimos tempos em Maringá – mas não, ele defende concretar todo o canteiro central de uma quadra na avenida Guaiapó, próximo à avenida dos Palmares.

Além de surpreender ao se mostrar contra as soluções naturais que Deus nos ofereceu, ele acaba envolvendo a Prefeitura de Maringá numa ilegalidade. Uma lei municipal proíbe cercar qualquer tipo de árvore – e no entanto estão fazendo, como ele próprio disse, e a seu pedido, “caixões” de tijolos em torno das grevíleas. Onde havia grama haverá concreto, tornando a quadra indigna de pertencer à Maringá, ex-cidade verde do Brasil.

O vereador disse que quando chove forte a terra (onde havia grama plantada) vai toda para o asfalto, e que isto agora vai acabar. Surpreendeu a todos que esperavam que ele denunciaria que a cidade vem sofrendo um processo cada vez mais rápido de impermeabilização, o que fará aumentar os problemas com enchentes.

Se o vereador Maninho tivesse procurado iria encontrar que Curitiba tem nova lei desde janeiro, que amplia as diretrizes para enfrentar enchentes na cidade – e sem precisar tacar concreto. A nova legislação atualiza a Política Municipal de Proteção, Conservação e Recuperação do Meio Ambiente e passa a incluir soluções baseadas na natureza no sistema de drenagem urbana. Entre elas estão os chamados jardins de chuva, além de parques lineares, valas verdes, canteiros pluviais e outras formas de infraestrutura verde para escoamento das águas pluviais”, explica o perfil O Básico do Saneamento (veja abaixo).

Maninho, que se apresenta como defensor “educação, saúde e segurança”, poderia encontrar também outros exemplos ambientalmente corretos de lidar com enchentes. Os municípios brasileiros costumam buscar alternativas mas sim cidades que adotam estratégias de “cidades-esponja” para absorver melhor a água da chuva através de infraestrutura verde e drenagem, reduzindo o impacto das enchentes. Em São Paulo (veja foto), cidade que como Maringá vez ou outra passa pelo problema, há alternativas muito interessantes.

Canteiro central numa rua de São Paulo, com sistema de drenagem que funciona

Além da questão da legalidade – a lei foi ideia do ex-procurador-geral do município Otávio Salvadori, para proteger árvores que ficam muradas de cimento ou até mesmo de cercas feitas de vários materiais -, há outras consequências que podem ocorrer.

Um profissional, que prefere não se identificar, fez as seguintes ponderações sobre as caixas no entorno das árvores e a impermeabilização do gramado. Depois de fazer as caixas eles vão encher de solo para fazer uma floreira, o que vai soterrar a base do tronco das árvores. “Isso é péssimo, pois vai gerar podridão na base do tronco e pode até matar essas árvores, que são grevíleas , árvores que já têm propensão a ter podridão no tronco. Sem contar que impermeabilizar essa área inteira só vai trazer mais problemas de drenagem pra esse local”. O aviso está dado, falta agora compreensão na administração que se apresenta como defensora do meio ambiente.

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