A Era de Ouro do Grêmio


Todo mundo frequentava o estádio e torcia fervorosamente, desde o cidadão mais simples até os mais importantes, como o prefeito João Paulino e o arcebispo Dom Jaime
Achei no meio de uns papéis antigos uma folha com uns versinhos que talvez possam ser avaliados como relíquia. Era o final de 1963. Me lembro bem. Estávamos os quatro batendo um papo na redação da “Tribuna de Maringá” – Benedito Moreira de Carvalho, Luís Carlos Borba, Túlio Vargas e eu. Ao lado, Manoel Tavares, diretor da “Tribuna”, preparava uma edição comemorativa pela conquista do campeonato estadual paranaense pelo nosso famoso “Galo do Norte”. Virou-se para nós e disse:
– Vocês são poetas, então cada um escreva uma quadra em homenagem ao Grêmio. Pra já. Meio surpresos, topamos o desafio. Saiu o seguinte:
ASSIS – Viva o Grêmio, viva o Galo, / orgulho de Maringá… / Que alegria é proclamá-lo / campeão do Paraná.
BENEDITO – O bravo e querido Grêmio, / que eu amo de coração, / trouxe a Maringá por prêmio / a Taça de Campeão.
BORBA – Grande time é o nosso Grêmio, / pela garra que ele tem. / Todo mundo em campo teme-o, / pois não perde pra ninguém.
TÚLIO – Grande bem a todos faz / o Grêmio de Maringá, / pelo orgulho que nos traz / e a alegria que nos dá.
A população local e regional na época pulsava unânime pelo Grêmio Esportivo Maringá, o inesquecível “Galo do Norte”. Todo mundo frequentava o estádio e torcia fervorosamente, desde o cidadão mais simples até os mais importantes, como o prefeito João Paulino e o arcebispo Dom Jaime.
Nas redações da mídia o assunto principal era sempre o Grêmio. Os jornalistas e radialistas especializados em esporte eram superconhecidos – Paulo Pucca, Ferrari Júnior, Borba Filho, Waldir Pinheiro, entre outros.
Cada jogo do Grêmio era uma festa. O “Clássico do Café” (Maringá x Londrina) deixava em clima de tensão a região inteira. Alguns marcos maiúsculos ficaram para sempre na memória de todos: os títulos de campeão estadual em 1963-64 e campeão da CDB em 1969, os jogos contra os times de Viena e da Rússia, o jogo contra o Santos com Pelé presente.
Foram os anos de ouro do futebol maringaense. Um tempo bom que ficará para sempre na memória e no coração de todos os que então já aqui estávamos.
(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)
Foto (colorizada por IA) do Grêmio em 1964: Acervo Vitão/Museu Esportivo de Maringá
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