É possível que a Copa do Mundo deste ano seja a última à moda antiga. Na Copa de 2030, com toda a certeza, as seleções serão montadas com base em algoritmos
Pena que não estarei aqui para ver em que vai dar tudo isso; porém os prolegômenos do futuro, que estamos vendo hoje, são suficientes para dar uma ideia do que virá por aí. Aliás, muita maravilha antes prevista para o próximo século já está acontecendo.
Quem não ficar atento será atropelado pelo turbilhão dos fatos. A política está mudando, o modo de exercer as profissões está mudando, os esportes estão mudando, as artes estão mudando, até as práticas religiosas estão mudando. Então a gente ou se enquadra na modernidade ou fica para trás.
Outro dia ouvi na televisão um analista cogitar sobre a reviravolta que poderá ocorrer na maneira de fazer política já na eleição do sucessor de Donald Trump.
Segundo sua “bola de cristal”, o próximo líder da mais poderosa nação do planeta será produto de um projeto fantástico pilotado por uma equipe de “nerds”, com auxílio da Inteligência Artificial. Será provavelmente uma pessoa jovem (homem ou mulher) que surgirá e crescerá vertiginosamente durante a campanha eleitoral, destacando-se por três diferenciais: ficha limpíssima, capacidade de comunicação bem acima da média e altíssimo Q.I.
Já ouvi também especulações sobre a utilização da IA nos esportes. É possível que a Copa do Mundo deste ano seja a última à moda antiga. Na Copa de 2030, com toda a certeza, as seleções serão montadas com base em algoritmos. Os preparadores dos times, que ainda chamamos de “técnicos”, serão “tecnólogos” superavançados e os jogadores serão escolhidos em laboratórios. Só não sei como ficará o torcedor no meio dessa história toda.
Se eu tivesse escrito essas coisas há uns vinte anos, pareceria ficção científica. Hoje isso não causa mais espanto a ninguém, porque na verdade o futuro já começou. A IA está nas escolas, nos escritórios, na mídia, na medicina, nos serviços públicos, na religião, nos estúdios de arte, na culinária.
Nós poetas estamos até meio assustados, com medo de que logo-logo a IA comece a fazer trovas e haicais bem melhores que os nossos…
(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)
Imagem gerada por IA
