Vereadora submete servidores a escala 7×0

Ela expôs em redes sociais como trata seus próprios funcionários, defendendo escalas 7 dias por semana

A fala recente da vereadora Ana Lúcia, criticando em suas redes sociais a manifestação do governador Ratinho Júnior contra a redução da escala 6×1, é, no mínimo, incoerente.

Nas recentes entrevistas para se defender das acusações de “rachadinha”* e assédio moral, ela expôs como trata seus próprios funcionários, defendendo abertamente escalas exaustivas de trabalho 7 dias por semana, de forma permanente.

Demonstrando um discurso demagógico em suas redes sociais para angariar apoio de quem pede o fim da escala 6×1, na prática, ao assumir o papel de empregadora, impõe aos servidores públicos comissionados de seu gabinete jornadas que negam o bem-estar básico, ecoando denúncias de assédio moral e condições análogas à escravidão, como jornadas sem folga que esgotam corpo e mente.

Esse manifesto descompromisso com o bem-estar dos servidores revela hipocrisia profunda: enquanto posa de defensora dos trabalhadores em público, na gestão de seu gabinete prioriza exploração sobre saúde mental e física.

Precedentes como os processos por assédio em câmaras municipais – com condenações por dano moral em casos de sobrecarga crônica no TRT da 9ª Região – e investigações do MPT por trabalho forçado em gabinetes (artigo 149 do Código Penal) mostram que tais práticas não passam impunes, abrindo caminho para indenizações, afastamentos e o fim de mandatos sob o peso da lei 14.457/2022, que pune o assédio no serviço público.

Se ela, a parlamentar detentora de mandato, quiser ficar “trabalhando” todos os dias exaustivamente, sem tempo para família, amigos ou cuidado consigo mesma, é uma opção dela. Os holofotes são para ela, o salário, o prestígio, o poder, os convites para festas… Mas quem a Câmara de Vereadores paga para que a ela preste o serviço de assessoria é um trabalhador ou trabalhadora como outro qualquer. São servidores públicos comissionados da Câmara no gabinete dela! Se para um é o trabalho, o ganha-pão, para ela é o ato de desfrutar dos privilégios que um mandato confere a quem é eleito, de manifestar poder e status, inclusive de ter assessores pagos.

É bom que a presidente vereadora Majô acompanhe tudo muito de perto e não perca a oportunidade de apurar, pois tais práticas imputadas à vereadora Professora Ana Lúcia, se confirmadas, podem resultar em mais desgaste e gasto do Legislativo maringaense.

Exaltar a supremacia do trabalho sobre a vida e a saúde mental é um discurso próprio de figuras como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, mas fazer o discurso pró-trabalhador e, na prática, agir pior do que o mais capitalista dos capitalistas é realmente o cúmulo do oportunismo e da demagogia. Maringá merece representantes que valorizem o humano, não o esgotamento.

(*) Rachadinha é uma expressão popular que abrange crimes como concussão (art. 316 CP, exigência de repasse salarial sob ameaça de exoneração), peculato (art. 312 CP, desvio de verba pública), corrupção passiva (art. 317 CP) e improbidade administrativa (lei 8.429/1992), especialmente quando assessores não filiados são coagidos a contribuir para o partido ao qual o empregador é presidente (como ser obrigado, sob risco de demissão, a pagar dízimo na igreja onde seu chefe congrega), com penas de até 12 anos de reclusão, multa e inelegibilidade

Imagem gerada por IA