O dia em que ovnis invadiram os céus do Brasil

Verde, azul, vermelho, amarelado, prateado… as luzes se transformavam numa velocidade impressionante. Foguinho registrou as imagens, as quais eu vi no Jornal da Globo do mesmo dia

Me lembro bem. Era uma segunda-feira, 19 de maio de 1986. Eu escrevia uma coluna social no Nortão Ilustrado. Um jornal semanário de Sertanópolis, que circulava em algumas cidades do norte do Paraná. Minha coluna abrangia Apucarana e Arapongas. Morava com minha irmã num casebre de dois cômodos na rua Osvaldo Cruz, em Apucarana. Naquele dia, no fim da tarde, fui correr na pista de atletismo do Ginásio de Esportes Lagoão. Ao voltar, encontrei umas pessoas com os olhos pregados no horizonte. Observavam luzes coloridas que se deslocavam de um lado a outro do céu. Numa velocidade impressionante.

Naquele tempo não havia celulares. As pessoas olhavam, apenas. Atônitas. Ninguém arriscava palpites. Até chegar em casa, deparei com outros observadores. Esbranquiçadas, verdes, azuis, vermelhas, alaranjadas… aqueles fachos se deslocavam no céu. Que coisa hein! Indagou um senhor sem camisa que avistava o fenômeno do quintal dele. Cheguei em casa. Lá pelas 23 horas, liguei uma televisão preto e branco que havia no quarto. No Jornal da Globo, o assunto dos objetos voadores era destaque. Em várias partes do Brasil testemunhas falavam do inusitado avistamento.

No começo dos anos 2000, morando em Maringá e trabalhando em O Diário do Norte do Paraná, rememorei o assunto numa reportagem. Entrevistei João Batista Siqueira, o saudoso cinegrafista Foguinho, que fez longo registro do fenômeno. Ao retornar de uma cobertura com o repórter Euclides Rocha Loures, receberam um aviso de Irene Fonçati, pauteira da antiga TV Cultura, hoje RPC. Ela avisou pelo rádio que um sujeito avistara um objeto não identificado bailando no ar. Se deslocaram até a Praça Pio XII, a conhecida Praça do Cogumelo. Ali, eles e a testemunha avistaram três objetos fazendo malabarismo no ar.

Verde, azul, vermelho, amarelado, prateado… as luzes se transformavam numa velocidade impressionante. Foguinho registrou as imagens, as quais eu vi no Jornal da Globo do mesmo dia. Na sequência foram destaque em todos telejornais da emissora e, no Fantástico do domingo seguinte. O assunto, que tomou conta da imprensa por vários dias, ganhou nomes. Noite Oficial dos Ovnis, Noite dos Discos Voadores… O sargento Sérgio Mota da Silva, que comandava a torre de controle do Aeroporto de São José dos Campos (SP), testemunhou o fenômeno. Ele informou ao Centro de Operações de Defesa Aeroespacial (CODA). Três caças Mirage partiram da Base Aérea de Anápolis (GO) e dois F-5E, da Base Aérea de Santa Cruz (RJ).

Numa velocidade de 1.173 KM/h, o máximo que conseguiram se aproximar dos objetos foi 10 milhas náuticas (18,52 km). As luzes logo desapareceram no horizonte. No dia seguinte, o ministro da Aeronáutica Octavio Júlio Moreira Lima confirmou o fato numa entrevista à imprensa. Ozires Silva, então presidente da Petrobrás e fundador da Embraer, retornava em um voo de Brasília para São José Campos. O piloto que o conduzia num avião Xingu avistou as luzes e o avisou. Ele ordenou que as seguissem, mas o avião não conseguiu se aproximar por causa da velocidade que atingiam. O assunto deu pano para manga. E, até hoje, é relembrado. O dia em que ovnis invadiram os céus do Brasil.

O cinegrafista João Batista Siqueira, o Foguinho, e simulação das luzes avistadas naquele dia, em 1986