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Interpretação equivocada de uma ilustração mal copiada de Fuchshuber rende críticas a pré-candidato a deputado federal

Ontem, o PM aposentado Dioney (PL), fenômeno local nas redes sociais e ex-suplente de vereador, foi alvo de críticas ao interpretar erroneamente uma gravura de Mônica Fuschshuber, reconhecida ilustradora conhecida como a “artista que desenhou o Brasil”. “Não basta a quantidade absurda de cretinice falada a cada segundo, mas também precisa estar fantasiado com um uniforme ridículo escrito POLICE”, repostou Sergio Santos numa rede social.

Ao ignorar que a ilustração faz referência à popular malandragem carioca, tendo ilustrado por exemplo uma das versões de “A Ópera do Malandro”, em 2014, e que o por mais que o personagem lembre Zé Pilintra – que surgiu no Catimbó e foi abraçado pela Umbanda, sendo uma das entidades mais populares e queridas das religiões de matriz africana e brasileira, conhecido como o “advogado dos pobres” e o rei da malandragem do bem, protegendo os marginalizados, os boêmios e os trabalhadores – trata-se de conhecida representação do visual clássico do malandro carioca, arquétipo cultural que representa o homem astuto, carismático, que usa a ginga e o jeitinho para passar pelas dificuldades.

O “malandro carioca” nasceu logo após a abolição da escravatura e é indissociável do samba e da Lapa. Recomendo que o pré-candidato a deputado federal leia (aqui e aqui) antes de falar a respeito deste tipo de tema, pois se não vai mostrar-se desinformado da nossa cultura – correndo o risco de ser apontado como quem não suporta a tradição afro-brasileira e, quiçá, remeter à ultrapassada intolerância religiosa.

Voltando à ilustração da sacola que, segundo ele, o mercado vendeu: como ex-policial deveria denunciar a pirataria da obra reconhecida internacionalmente, que tem sido copiada sem o pagamento dos devidos direitos autoriais. Pior: no caso da imagem que ilustra a sacola, que originalmente retrata o Rio de Janeiro (daí o desenho do Cristo Redentor e da calçada de Copacabana), ao invés dos arcas da Lapa aparece a Pampulha, de Belo Horizonte (MG), originalmente azul, em cor amarela. Era contra isso que ele deveria usar as redes para se manifestar, e não aparentar ser contra o samba da malandragem que nos remete a Noel Rosa, Bezerra da Silva, Dicró e Moreira da Silva. E, se possível, usar uma fantasia de policial brasileiro.