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Ana Lúcia: nem todo mundo aguenta

Direitos trabalhistas não podem valer apenas para o discurso e nenhuma justificativa é suficiente para submeter uma pessoa a uma jornada exaustiva

O mais assustador no caso envolvendo a denúncia feita por um ex-assessor contra a vereadora Ana Lúcia Rodrigues (PDT) não foi apenas o conteúdo das acusações, mas a naturalidade com que ela reagiu ao caso. Ao comentar as denúncias, a vereadora acabou defendendo uma jornada de trabalho exaustiva imposta aos próprios assessores.

Ao ser entrevistada, afirmou que “nem todo mundo aguenta” trabalhar como seu assessor.

Mas essa frase revela justamente o problema. Se “nem todo mundo aguenta”, talvez a questão não seja a capacidade das pessoas, mas as condições de trabalho.

É uma enorme contradição alguém defender publicamente o fim da escala 6×1 e, ao mesmo tempo, impor aos próprios funcionários uma rotina ainda mais desgastante. Direitos trabalhistas não podem valer apenas para o discurso.

Nenhuma justificativa é suficiente para submeter uma pessoa a uma jornada exaustiva. Não importa se o argumento é político, econômico, eleitoral, ideológico ou financeiro. Ao longo da história, sempre houve quem encontrasse uma razão para exigir que as pessoas trabalhassem mais, descansassem menos ou suportassem condições que ultrapassam os limites da dignidade. As justificativas mudam. O resultado para quem trabalha é o mesmo.

Quem acredita que trabalhadores merecem respeito precisa defender esse princípio em qualquer circunstância, especialmente quando ocupa um cargo público e tem o dever de dar exemplo, com mandato e poder de influenciar ou mudar leis. Afinal, direitos trabalhistas não podem depender de quem está no poder nem de quem assina a folha de pagamento.

Foto: Marquinhos Oliveira/CMM

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