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Conversa com Luiz Gabriel

O Brasil só tomará rumo quando a vida pública for inteiramente saneada

Por falar em modernidade, lembrei-me de uma conversa com o saudoso deputado Luiz Gabriel Guimarães Sampaio, na redação da “Folha do Norte”, há mais de 40 anos, numa roda de jornalistas. Num por acaso, um dos presentes comentou que o Brasil só tomaria rumo quando a vida pública fosse inteiramente saneada.

Luiz Gabriel, político jovem com a cabeça no futuro, aproveitou o gancho e prognosticou: “Concordo com você, e tenho a convicção de que isso de fato um dia  acontecerá, mas somente quando se realizar a profecia do escritor Aldous Huxley (‘Admirável mundo novo’)”.

Explicou: “Quando isso acontecer, todas as ações humanas, a começar pelas dos políticos e dos seus auxiliares, terão transparência total, de modo que ninguém conseguirá fazer nada escondido. Somente sobreviverá na vida pública quem tiver uma biografia absolutamente limpa e só fizer coisas certas”.

Disse mais: “Como primeira consequência dessa transparência, o dinheiro recolhido em forma de impostos e taxas será administrado com máximo rigor e sobrarão recursos para fazer do Brasil, em pouco tempo, um dos países mais desenvolvidos do mundo”.      

Se um acidente na estrada não o tivesse levado tão cedo desta vida, Luiz Gabriel estaria vendo hoje o seu vaticínio começar a tornar-se realidade. O “mundo novo” já está aí, assustando e ao mesmo tempo encantando a gente.

As câmeras estão deixando quase tudo escancarado. Daqui a pouco, nem no banheiro teremos mais privacidade. Mas em compensação terão todos que aprender a se comportar como pessoas corretas.

Com tudo assim às claras, os futuros líderes (homens e mulheres) terão também de enquadrar-se numa nova fórmula, na qual o item fundamental será uma ficha limpíssima. Aliás, como bom começo, já existem alguns e algumas dando sinais de que poderão atuar com sucesso nesse novo modelo.

Quem viver verá coisas fantásticas produzidas com auxílio da inteligência artificial e de outras novas tecnologias. Uma nova era, realmente admirável, está vindo aí. Pena que o querido amigo Luiz Gabriel não estará aqui para conferir.


(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)

Foto colorizada: Eu Amo Maringá

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