Defesa de ex-secretário preso pede suspeição do promotor e de sua assessora

Incidente de suspeição aponta suposta quebra de imparcialidade e “vínculo político-familiar silencioso” no Ministério Público de Terra Rica; defesa de Celso Vinícius Azoia, o “Kalunga”, pede anulação de investigações e soltura imediata

A defesa de Celso Vinícius Gimenes Azoia, conhecido como “Kalunga”, ex-secretário de Esportes de Terra Rica atualmente preso preventivamente, protocolou um incidente de arguição de suspeição de extrema gravidade contra o promotor de Justiça titular, Luiz Henrique Guimarães Hohmann, e sua assessora jurídica direta, Francyelle dos Santos.

A petição, assinada pelo advogado Kim Rafael Serena Antunes, traz à tona um detalhado organograma de vínculos familiares e políticos que, segundo a defesa, compromete de forma insanável a imparcialidade da acusação pública.

De acordo com os autos, a investigação foi deflagrada a partir de uma notícia de crime apresentada no início do ano por Francyelle dos Santos. Na queixa inicial, ela qualificou-se puramente como “aluna de academia” e, posteriormente, como “funcionária pública estadual” perante a Polícia Civil, omitindo seu vínculo de subordinação direta com o promotor de Justiça que assumiria o comando do processo.

A defesa alega que Francyelle é casada com Matheus Maior, irmão de Murilo Maior, candidato derrotado a vice-prefeito nas eleições de 2024 pela oposição ao atual prefeito eleito, Agnaldo. Kalunga, o réu, foi o coordenador de campanha do prefeito vencedor e acabou nomeado secretário de Esportes, tornando-se, segundo o advogado, alvo de uma “manobra persecutória com contornos de vingança político-familiar”.

A defesa argumenta que o Promotor de Justiça local atuou em “simbiose passional” com sua assessora, mimetizando em seu parecer de prisão preventiva o mesmo linguajar moralizante, subjetivo e as acusações baseadas em boatos e capturas de tela desprovidas de cadeia de custódia.

A petição ainda aponta uma grave incoerência cronológica: a prisão preventiva foi decretada sob a alegação de descumprimento de medidas cautelares por conta de um suposto contato telefônico ocorrido dia 2, data em que o ex-secretário sequer havia sido notificado das restrições (que só foram decretadas formalmente no dia 30 de junho).

Diante das supostas irregularidades, a defesa requereu o recebimento e processamento do incidente de suspeição, a nulidade absoluta de todos os atos investigativos e processuais que contaram com a lavra ou participação direta ou indireta dos envolvidos, o restabelecimento imediato da liberdade de Celso Vinícius Azoia, e o envio de representações para a Corregedoria-Geral do Ministério Público do Estado do Paraná para apuração de responsabilidade funcional e disciplinar.

Celso Vinicius Gimenes Azoia permanece preso na cadeia pública de Nova Londrina. A defesa já havia protocolado pedidos de relaxamento e revogação da prisão preventiva, que também tramitam em conjunto. O processo corre em segredo de justiça em alguns aspectos, mas a petição de arguição de suspeição foi juntada aos autos nesta segunda-feira. O Ministério Público ainda não se manifestou sobre o incidente.

O secretário de Esportes de Terra Rica, Celso Vinicius Azoia foi preso no dia 9 de julho acusado de por descumprir medidas cautelares. Ele havia sido afastado do cargo após investigações da Polícia Civil apontarem um desvio superior a R$ 100 mil em recursos públicos por crime de peculato, a partir da denúncia feita pela subordinada do promotor.

Fotos: Reprodução/redes sociais