Foi a Frankfurt e descobriu a Mônica


O anúncio da Turma da Mônica na Maringá Encantada revela uma gestão privatista, que entrega à iniciativa privada a condução das ações do Executivo
Após um Natal desidratado e triste no primeiro ano da gestão Silvio III, o prefeito, ao lado do presidente da Associação Comercial e seu agente cultural, em trio, anuncia a Maringá Encantada 2026, aparentemente revigorada. Porém, um vídeo em tom entusiasta tem muitos véus e múltiplas camadas.
A começar pelo prefeito terceirizando o anúncio para a Associação Comercial. Não há espírito natalino, não há menção a um presente de fim de ano para o congraçamento das famílias maringaenses. No lugar, um apelo meramente mercadológico: uma grife infantil, supostamente com a marca da Turma da Mônica, do cartunista Maurício de Sousa. A fala breve do prefeito elucida o ethos natalino com algumas palavras-chave: “investimento” e “marca”.
O anúncio revela, ainda, o poder e a forma de atuação da sociedade civil nos rumos do Executivo. Revela, também, uma gestão privatista, que desresponsabiliza o poder público e entrega à iniciativa privada a condução das ações do Executivo. Nada de republicano na terra dos festivais medievais e seus castelos de areia.
Por fim, deixa uma pergunta que não quer calar: o prefeito precisou ir a Frankfurt, utilizando o erário público, para descobrir a Turma da Mônica?
Foto: Reprodução
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