República de Ponta Grossa
Equipe da Prefeitura de Ponta Grossa com histórico de problemas participa do plano de governo de Moro
Integrantes do alto escalão da Prefeitura de Ponta Grossa, marcada por aumento de despesas, deterioração das contas públicas, aumento de impostos e problemas em serviços básicos participaram ativamente da elaboração do plano de governo de Sergio Moro (PL) para o Paraná, protocolizado ontem.
A equipe da prefeita Elizabeth Schmidt (PL), uma das principais aliadas do senador, participou diretamente da formulação das propostas. A participação foi revelada em fevereiro deste ano pelo jornalista Karlos Kohlbach, do Blog Politicamente. Segundo ele, Elizabeth colocou à disposição Liliam Brandalise, da Saúde; Guilherme Rangel, da Segurança; Tônia Mansani, da Inovação; e Gustavo Schemim da Matta, procurador do município.
Posteriormente, a própria assessoria de Moro confirmou a participação de gestores e entidades na elaboração do programa em matéria publicada no dia 21 de julho no site do jornal Oeste Notícias, a partir de informações enviadas pela própria assessoria de Moro.
Na foto que ilustra a matéria, aparentemente tirada em uma reunião para discussão do plano de governo, a secretária municipal de Saúde de Ponta Grossa, Liliam Brandalise, aparece na mesa ao lado do senador e de seu candidato a vice, Edson Vasconcelos.
Mesmo antes disso, a relação entre Moro e a prefeita Elizabeth já era estreita. Os dois aparecem frequentemente juntos em eventos e compartilham a mesma equipe de comunicação eleitoral, o publicitário Marcelo Cattani. Em julho, Elizabeth se filiou ao PL em um evento com a presença de Moro, assumindo também a presidência municipal do partido. Segundo o jornalista Esmael Moraes, ela também estaria sendo cotada para comandar a Secretaria de Estado da Educação em um eventual governo Moro.
E como anda a prefeitura? – De 2021, ano em que a equipe de Elizabeth assumiu a gestão municipal, até 2024, as despesas de custeio da Prefeitura de Ponta Grossa praticamente dobraram, de R$ 299 milhões para R$ 591 milhões, alta de 97,6%. O município também passou de superávits anuais de R$ 62 milhões e R$ 66 milhões em 2021 e 2022, respectivamente, para déficit de R$ 30 milhões em 2023 e um rombo de R$ 151 milhões em 2024.
Com o descontrole financeiro e a piora das contas, a prefeitura propôs em 2025 aumento de até 50% no IPTU. Após mudanças da Câmara, o reajuste ficou limitado a 30% em 2026, mas a legislação permite aumentos de até 20% ao ano nos períodos seguintes.
Na educação, a sua gestão municipal enfrentou dois problemas graves recentemente: em 2025, alunos começaram o ano letivo sem uniformes e parte dos 34 mil kits comprados por R$ 3 milhões foi entregue com tamanhos errados. Em 2026, denúncias de alimentos estragados na merenda levaram o Ministério Público a questionar judicialmente o contrato de alimentação.
A situação também é relevante no caso de Liliam Brandalise, que aparece na fotografia da reunião de elaboração do plano ao lado de Moro e Edson Vasconcelos. Ela é uma das pessoas investigadas em uma CPI na Câmara de Vereadores por irregularidades de planejamento e licitação no contrato do Centro de Referência para Animais em Risco (CRAR).
E no transporte coletivo, o TCE-PR multou Elizabeth em 2023 pelo descumprimento de uma liminar que determinava melhorias no serviço. O Tribunal apontou superlotação, falta de acessibilidade nos terminais e falta de transparência nos dados da concessionária. Uma auditoria constatou ônibus com mais de oito passageiros por metro quadrado nos horários de pico. (C/ Assessoria)
Foto: Prefeitura de Ponta Grossa
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