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O PDT na roleta russa de Maringá

O verdadeiro pânico dos estrategistas do PDT não é o teto baixo de votos; é o apagão legal

Montar chapa proporcional é jogo de Jenga: puxe a peça errada e a estrutura desaba. No Paraná, o PDT achou que tinha uma jogada de mestre ao envelopar o partido com o sobrenome de Roberto Requião da cabeça aos pés da chapa. A engenharia parecia perfeita ao centrarem fichas no velho cacique como aspirador de votos para inflar o quociente eleitoral, abrindo caminho para o baixo clero carimbar o passaporte para Brasília na esteira das sobras.

O pragmatismo partidário, contudo, cobra juros caros quando ignora o passivo de seus tripulantes. Em Maringá, a eminência parda que paira sobre as decisões da vereadora Ana Lúcia, seu companheiro e coordenador, identificou no “efeito Requião” a boia de salvação perfeita para fazer caipirinha dos limões e abafar suas turbulências domésticas. O problema é que, ao dar carona para quem tenta fugir do ralo, o PDT transformou sua chapa em uma legítima bomba-relógio.

O primeiro rombo é na matemática das urnas. O eleitorado não é bobo e o “efeito denúncia” — alimentado pela Comissão Processante que apura assédio moral na Câmara — congelou o capital político da parlamentar. Analistas de bastidores já calculam uma desidratação de 7 mil a 10 mil votos a menos na legenda. Ana Lúcia virou um peso morto que retira mais energia do partido do que injeta.

Mas o verdadeiro pânico dos estrategistas do PDT não é o teto baixo de votos; é o apagão legal. Se o plenário de Maringá carimbar a cassação da vereadora antes do pleito — e os ventos locais sopram fortemente nessa direção —, a Lei da Ficha Limpa entra em campo como um rolo compressor e derruba o registro dela. O xeque-mate técnico atende pela cota de gênero de 30%. Sem Ana Lúcia na urna e sem tempo hábil para uma substituição feminina viável, o castelo de cartas desmorona. Para cumprir a lei e não ter a chapa inteira impugnada, o PDT será obrigado a degolar seus próprios candidatos homens que já estão na rua gastando sola de sapato e recursos.

Ao flertar com o perigo para salvar uma aliada chamuscada, o PDT não joga apenas dados com o futuro de Ana Lúcia. Joga na roleta russa a sobrevivência política de parte de sua futura bancada. O pavio está curto e o relógio de Maringá não para de correr.

Reprodução/Jenga

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