O resultado de ontem representou um respiro para a comunidade acadêmica. Gisele se tornou a segunda reitora mulher da história da instituição
Nesta manhã, o jornalista Angelo Rigon citou, no Jornal da Manhã, da Jovem Pan, que a vitória da professora Gisele Mendes e do professor Geovanio Rossato nas eleições para a reitoria da UEM representou uma flagrante derrota para o reitor Leandro Vanalli. Sua vice-reitora e seu ex-procurador jurídico deram um cartão vermelho, avalizado pela chancela legítima do voto, ao projeto do atual reitor.
Segundo membros da comunidade acadêmica, Vanalli vinha gestando a universidade com mãos de ferro. Uma gestão centralizadora, avessa às políticas afirmativas e que silenciava sua vice, mulher, advogada e professora, democraticamente eleita com os mesmos votos que o elegeram. Há relatos de que, há dois anos, Gisele não era chamada para reuniões e/ou sequer consultada sobre decisões sensíveis envolvendo a universidade.
Sem contar o cipoal de denúncias envolvendo assédios morais e pressão sobre agentes universitários.
Vanalli tem uma fidelidade canina ao governador e a grupos políticos locais, os mesmos que sucatearam a universidade. É habitual ver suas curtidas em postagens de políticos alinhados ao bolsonarismo. Segundo muitos observadores, tinha um projeto político pessoal em curso.
Segundo um experiente professor da UEM, evocando as palavras de Jânio Quadros em sua renúncia, em 1961, “forças ocultas” atuaram fortemente na disputa dessas eleições.
O resultado de ontem representou um respiro para a comunidade acadêmica. Gisele se tornou a segunda reitora mulher da história da instituição. Que sua bravura em denunciar desmandos e defender a autonomia universitária alce a gloriosa UEM ao seu devido lugar de excelência, qual seja: o interesse científico e social livre dos interesses privatistas.
