“Moro abandonou o Ministério e agora quer abandonar o Senado”, critica Sandro Alex

Foi durante sabatina na CNN; para candidato do PSD, senador quer deixar o mandato pela metade quando há forte crise institucional
O candidato ao Governo do Paraná pelo PSD, Sandro Alex, criticou nesta quinta-feira, durante sabatina da CNN, a atuação do senador Sergio Moro (PL) e afirmou que o adversário demonstra falta de compromisso com as funções para as quais foi escolhido. Sandro lembrou que Moro deixou o Ministério da Justiça em 2020, durante o agravamento da pandemia, e agora tenta deixar o mandato no Senado antes do fim para disputar o Governo do Paraná, justamente em um momento de forte crise institucional e de discussões no Congresso envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Ao ser questionado sobre o caso Banco Master e ministros do STF, bem como sobre a atuação dos senadores diante das suspeitas envolvendo o episódio, Sandro cobrou Moro por não estar exercendo seu papel no Senado Federal. O candidato afirmou que o senador deveria estar em Brasília cobrando o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, pela abertura de um processo.
“Eu não compreendo o que ele está fazendo aqui no Paraná em campanha. Ele deveria estar no Senado cumprindo a função para a qual foi eleito para um mandato de oito anos, cobrando o presidente da Casa para que esse processo seja aberto e todos os fatos sejam esclarecidos”, afirmou.
Sandro também lembrou o voto favorável de Moro à indicação de Flávio Dino ao Supremo Tribunal Federal, conforme noticiado pela imprensa. Ex-ministro da Justiça do governo Lula e então integrante do PCdoB, Dino foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sandro apontou uma contradição entre o voto de Moro e o discurso do senador de que atua para combater o PT.
“Quando ele teve a oportunidade de realmente combater o PT, como diz que faz, foi lá e deu o voto para o candidato do PT ao Supremo Tribunal Federal, o Flávio Dino. Ele votou para colocar e fortalecer o partido. Na minha opinião, não era essa a vontade dos paranaenses”, afirmou Sandro, acrescentando que Moro “está em débito com o Paraná”.
Na sequência, o candidato questionou a intenção de Moro de deixar o mandato de senador para disputar o Governo do Estado. “Ele quer abandonar o cargo para fazer algo que não está preparado e não tem que fazer aqui no Estado. Eu acho que cada um no seu lugar: ele deveria estar cumprindo sua função no Senado”, disse.
Saída do Governo Bolsonaro
Ao ser questionado sobre sua escolha como candidato do grupo político do governador Ratinho Junior, Sandro voltou a comparar sua trajetória com a de Moro e resgatou a saída do então ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro, em abril de 2020.
Moro deixou o Ministério da Justiça após romper com Bolsonaro e acusar o então presidente de interferência na Polícia Federal. Sandro classificou a saída como um abandono de função e lembrou que o episódio ocorreu durante o agravamento da pandemia de Covid-19.
“Quando ele (Moro) abandonou o cargo de ministro da Justiça, traindo o presidente Bolsonaro, no momento mais difícil da pandemia, e foi embora para os Estados Unidos, nós continuamos trabalhando em defesa dos paranaenses”, afirmou.
Sandro contrapôs a saída de Moro à sua própria atuação no Paraná durante a pandemia, quando estava à frente da Secretaria de Infraestrutura e Logística. Ele citou como exemplo o trabalho realizado no Porto de Paranaguá para garantir o atendimento aos caminhoneiros e a continuidade das operações.
“Enquanto meu adversário abandonava o cargo, eu estava no Porto de Paranaguá montando uma verdadeira operação de guerra para atender os caminhoneiros. Quando todos os restaurantes fecharam, nós estávamos lá garantindo alimentação para eles, para que a movimentação de cargas não parasse no porto e não tivéssemos um desabastecimento no Paraná”, afirmou.
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