Representação londrinense em Brasília pode ser reduzida pela metade
Londrina corre um risco real de ver sua representação em Brasília encolher drasticamente em 2026. A cidade, que conseguiu emplacar quatro deputados federais na última eleição, pode ver sua bancada reduzida à metade devido a uma nova realidade política.
E não é apenas uma suposição: são os dados que acendem o alerta nas pesquisas internas dos partidos. Vale lembrar que o simples anúncio da candidatura de Marcelo Belinati causou um verdadeiro “voa baratas” nos bastidores locais.
A conta que o eleitor precisa fazer não é sobre quem ele mais gosta, mas sobre o risco da hiperconcentração de votos. Afinal, são os deputados os responsáveis por abastecer os cofres do município com recursos federais.
Muitos eleitores esquecem que eleição federal não é eleição municipal. As cadeiras na Câmara dos Deputados são definidas pelo sistema proporcional estadual. Isso significa que o voto do londrinense entra em um cálculo bruto da legenda no Paraná inteiro.
Em 2022, a divisão pulverizada permitiu que diferentes nomes garantissem cadeiras. Mas o cenário para 2026 mudou completamente com a entrada de dois “pesos-pesados” que prometem monopolizar as urnas locais:
Marcelo Belinati: Após oito anos na prefeitura, o ex-prefeito volta à disputa federal com potencial estimado pelas pesquisas de concentrar perto de 100 mil votos apenas em Londrina. André Vargas: O ex-vice-presidente da Câmara retorna ao jogo totalmente inserido na estrutura e na máquina do PT paranaense. Por que isso é um perigo para a cidade?
Quando dois candidatos polarizam e absorvem a imensa maioria dos votos do município, acontece o efeito “aspirador”: eles sufocam as demais candidaturas locais, tirando o oxigênio de nomes menores que precisariam dessa base para se eleger pelas sobras partidárias.
Mas nada é tão ruim que não possa piorar. O mercado político sabe que Marcelo é candidatíssimo a voltar à prefeitura em 2028. Se ele for eleito deputado agora e vencer a eleição municipal daqui a dois anos, ele deixa Brasília. Na prática, a célebre frase se aplica perfeitamente: “Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder.”
Ou seja: o londrinense corre o risco de eleger só dois deputados, com forte ênfase no só, mas terminar levando apenas “um e meio”.
Menos deputados, menos dinheiro. A matemática é cruel: metade dos deputados significa metade da força política e menos emendas parlamentares carimbadas para a saúde, infraestrutura e segurança de Londrina. Se o eleitorado não entender a engenharia do voto proporcional e concentrar todas as fichas, a cidade inteira vai pagar a conta em Brasília.
(*) Israel Marazaki — fiscal por instinto, cronista por raiva e sentinela por missão
