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Keep calm

Eleição não é rinha

Durante uma caminhadinha na quadra, fui pensando na crônica que poderia escrever em véspera de eleição. A resposta veio logo, numa frase que li na camiseta de um jovem: “Keep calm”.

Pronto… é isso aí – “Mantenha a calma”. Falar de política, tudo bem. É necessário e bom. Mas ninguém precisa brigar com ninguém por eventual antagonismo partidário. Além disso, logo-logo voltaremos todos à rotina e nos concentraremos em outras acontecências.  

Parei na esquina para abraçar dois amigos que ali batepapeavam. Um deles apoiador da esquerda, outro defensor da direita. Discutiam?… Que nada. Um tirava sarro do outro, na maior descontração. Acabei testemunhando a aposta que fizeram: almoçarão juntos após o pleito e quem perder a eleição pagará a conta.

Amigos, amigos; partidos à parte. Política se assemelha ao futebol. Eleitores, como os torcedores, esquentam a cabeça, se desaforam, chegam às vezes a ficar de mal; políticos, como os jogadores, se xingam, chegam às vezes a trocar caneladas, mas depois do pega se abraçam, trocam camisas, pedem desculpas pelos maus modos e no fim fica tudo numa boa.

Portanto, keep calm. Cabeça fria. Pode ser que na sua família alguns votem num candidato e outros no candidato oposto. O mesmo pode acontecer no seu local de trabalho ou de estudo, no clube, no grupo de oração, no grupo de whatsApp. Mas e daí? Cada um na sua. Cada qual responsável pela escolha que faz. Democracia é assim.

Lembro-me com saudade dos bons tempos em que trabalhei em jornais e revistas – na “Tribuna de Maringá”, no “O Jornal e Maringá”, na “NP”, na “Folha do Norte”.

Na “Folha” trabalhei por 12 anos, bem na época em que a política brasileira se dividia acirradamente entre Arena e MDB. Mas as duas bandas circulavam tranquilamente em nossa redação. Com frequência lá se encontravam, tomando juntos o nosso cafezinho, Paulo Pimentel e José Richa, Renato Celidônio e Haroldo Leon Peres, João Paulino e Said Ferreira, Túlio Vargas e Adriano Valente, Luiz de Carvalho e Walber Guimarães, Antônio Facci e Tadeu França, José Cassiano e Horácio Raccanello, Silvio Barros (pai) e Jorge Sato, Renato Bernardi e Gabriel Sampaio. Eles peleavam nos palanques, mas ali na intimidade pareciam todos colegas de infância.  

Eleição não é rinha. Bons votos. Paz e luz. Keep calm.


(Crônica publicada na edição de hoje do Jornal do Povo)

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