Política sem limites


A insanidade eleitoreira se eleva substancialmente de nível na mesma proporção da relevância do cargo pleiteado
Na reta final da campanha eleitoral alguns candidatos parecem ter perdido a noção do bom senso. Os exemplos de total descompasso entre as limites aceitáveis e as excentricidades rocambolescas na conquista por minguados votos superam quaisquer expectativas. Algumas aparições na mídia variam do ridículo ao insuportável, apresentado em um combo completo de promessas esdrúxulas, a forma mais elementar que escolheram para chamar a atenção do eleitor. A insanidade eleitoreira se eleva substancialmente de nível na mesma proporção da relevância do cargo pleiteado. E para isso são empregadas sem escrúpulos as mais rasteiras artimanhas, com o intuito maior de confundir e arrebanhar os indecisos. É uma tática insidiosa, um jogo sujo com poder para macular seriamente a imagem dos atuais adversários, ainda que em eleições futuras eles possam se abraçar por uma mesma causa.
Desde sempre a sociedade esperou condutas retas dos homens públicos, assim como caráter íntegro, posicionamento sensato, postura coerente, probidade a toda prova e o requisitos básicos nas interações sociais: educação e respeito. Especificamente aos candidatos a cargos majoritários, as manifestações públicas requerem cautela e principalmente sensibilidade para modular, ainda que de forma um tanto mais eloquente, seus conceitos sobre assuntos específicos. Sob essa perspectiva, é interessante analisar algumas posições de determinados candidatos, notadamente adeptos ao estilo populista que não perdem oportunidade para exibir sua verborragia insossa e desconectada com a realidade. Isso inclui divulgar fake news sobre assuntos alheios às funções do cargo disputado. Ou utilizar vocabulário grosseiro em discursos públicos. Ou ainda, demonstrar desconhecimento da legislação ao comentar peculiaridades sobre etnias, crenças religiosas, costumes, procedimentos em diferentes áreas como medicina, educação, economia, segurança pública, entre outros assuntos que não dominam, mas insistem em abordar de forma genérica, certamente para agregar suposto conteúdo a discursos vazios.
Outra particularidade dos candidatos/políticos é a persistência em tentar desacreditar continuamente seus adversários. Nos debates em emissoras de televisão esse comportamento fica mais evidente e demonstra falta de preparo, de capacidade e de conhecimento para a defesa de suas propostas para a sociedade. Sobram acusações não comprovadas de imediato, mas que acabam tumultuando as discussões sobre os temas relevantes a que se dispuseram esclarecer. Naquelas oportunidades, assumem posturas típicas de estadistas impolutos prometendo mundos e fundos, talvez imaginando o eleitor possuidor de apenas alguns neurônios, que mal conseguem enxergar a realidade dos fatos. Esse é o perfil da maioria dos candidatos, em sua quase totalidade sorridentes, afáveis, esbanjando simpatia e confiança, cujos reais interesses se contrapõem com a imagem de bom-mocismo estampada nos santinhos coloridos e nas inserções midiáticas.
Não obstante esse extenso rol de predicados indigestos e desabonadores dos postulantes da atualidade, é imprescindível tentar identificar os que apresentam atributos positivos e depositar neles a confiança por mudanças. Precisamos de pessoas verdadeiramente comprometidas com o desenvolvimento da nação. Esse “País tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza” certamente haverá de decidir sabiamente por um futuro próspero. Ainda restam esperanças!
(*) José Luiz Boromelo, escritor e cronista em Marialva/PR.
Imagem gerada por IA
*/ ?>
