Câmara quebra tradição

Viagem de vereador aos Estados Unidos foi liberada mediante simples requerimento; as demais sempre foram através de projeto de resolução

A Câmara de Maringá autorizou viagem internacional do Pastor Sandro (União Brasil) aos Estados Unidos, na sessão de ontem, e quebrou uma tradição. Assim como liberou o prefeito para não mais informar sobre suas viagens, deixou de usar projeto de resolução para os vereadores.

Em 3 de junho do ano passado a presidência, através de projeto de resolução 952/2025, concedeu licença à vereadora Akemi Nishimori (PSD) para ir ao Japão, de 14 a 22 daquele mês, integrando comitiva organizada pela administração municipal, com diária de 610 dólares.

Em março deste ano concedeu licença ao vice-presidente Sidnei Telles (Podemos) para integrar delegação oficial do município para ir à Holanda, de 12 a 18 de abril, com diária de 450 euros. Foi através de projeto de resolução 972/2026.

Já em 22 de julho passado o secretário de Segurança Municipal, Luiz Alves, enviou à presidência do Legislativo um convite para participação de evento de prêmio internacional no 2026 IACP Chief David Cameron Leadership in Environmental Crimes Award, em 27 de outubro, em Orlando, Flórida, nos Estados Unidos. O ofício pede a indicação de um vereador que integre a Comissão de Segurança Pública da Maringá, da qual Marcos Campos é presidente.

A Associação Internacional de Chefes de Polícia (IACP) tradicionalmente não publica os finalistas da categoria apontada (Liderança em Crimes Ambientais, Agência de Médio Porte e Liderança em Prevenção ao Crime). Maringá inscreveu a Patrulha Ambiental e Patrulha Maria da Penha para concorrer aos prêmios das duas categorias.

No ofício, o secretário deu somente um dia (até 23 de julho), “impreterivelmente” para a resposta e salientou que a organização do evento, que ocorre há décadas, pediu que não se divulgasse o recebimento da honraria antres do dia 27. Ontem, 1º de outubro, com dois votos contra, foi aprovado o requerimento para os gastos com a viagem do vereador. Nada de projeto de resolução, o que abre caminho para questionamentos.

Foto: Marquinhos Alves/CMM