Quais critérios fundamentaram a decisão da SEED de o Colégio Estadual Silvio Magalhães Barros não poderá mais ofertar o Ensino Médio? Por que ela foi tomada sem um amplo diálogo com a comunidade escolar?
O Colégio Estadual Silvio Magalhães Barros, de Maringá, foi informado pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) de que não poderá mais ofertar o Ensino Médio. De forma abrupta e sem qualquer processo transparente de diálogo com a comunidade escolar, foi comunicada a decisão de que, ainda neste ano, os estudantes atualmente matriculados no Ensino Médio deverão ser transferidos para o Centro Estadual de Educação Profissional Padre Joséir Sversutti, conhecido como CEEP Maringá, localizado inclusive em outro bairro da cidade.
Trata-se de uma decisão que provoca profunda indignação e levanta sérios questionamentos sobre os critérios utilizados pela Secretaria de Estado da Educação. Uma mudança dessa magnitude, imposta de maneira repentina e sem uma justificativa pública convincente, desconsidera a realidade dos estudantes, suas famílias, os professores e toda a comunidade escolar. Mais grave ainda é que a medida ocorre em um período particularmente delicado do calendário acadêmico, às vésperas de vestibulares e do Processo de Avaliação Seriada (PAS), justamente quando os estudantes necessitam de estabilidade, segurança e condições adequadas para se dedicarem aos seus projetos de futuro.
O Colégio Estadual Silvio Magalhães Barros possui uma trajetória de quase 39 anos de história e desempenha um papel importante na educação pública de Maringá. Atualmente, atende 11 turmas do Ensino Médio, formadas por estudantes que construíram vínculos com a instituição, com seus professores, funcionários e colegas. Muitos desses jovens são trabalhadores e pertencem a famílias de baixa renda, para as quais qualquer mudança de rotina, deslocamento ou aumento de custos pode representar uma dificuldade significativa.
Não se pode tratar uma comunidade escolar como uma simples planilha administrativa. Estudantes não são números, matrículas ou estatísticas a serem deslocadas de uma unidade para outra conforme decisões tomadas de forma unilateral. São pessoas, com histórias, vínculos, responsabilidades, sonhos e projetos de vida.
Uma política educacional verdadeiramente comprometida com a qualidade da educação pública deve considerar não apenas a lógica administrativa, mas também os impactos humanos e pedagógicos de suas decisões. Encerrar a oferta do Ensino Médio em uma instituição com décadas de história exige, no mínimo, transparência, diálogo, planejamento e uma justificativa que possa ser apresentada e debatida publicamente com aqueles que serão diretamente afetados.
O que está em discussão, portanto, não é apenas a mudança de endereço de estudantes. Está em jogo o direito de uma comunidade de ser ouvida e respeitada e, sobretudo, o direito dos jovens de concluir sua formação em condições que preservem sua estabilidade, seus vínculos e suas perspectivas de futuro.
Diante disso, é legítimo questionar: quais critérios fundamentaram essa decisão? Por que ela foi tomada sem um amplo diálogo com a comunidade escolar? Quais estudos de impacto foram realizados? E, principalmente, por que uma mudança dessa dimensão precisa ocorrer de maneira tão repentina, justamente em um momento tão importante da trajetória acadêmica desses estudantes?
A educação pública não pode ser conduzida apenas por decisões administrativas tomadas de cima para baixo. Quando uma decisão interfere diretamente na vida de centenas de estudantes, professores e famílias, ouvir aqueles que serão afetados não é um favor: é uma demonstração mínima de respeito e responsabilidade pública.
Arte s/ foto de redes sociais
