O repúdio corajoso de Kakay a Temer

Aliança entre Temer e o herdeiro do bolsonarismo escancara exatamente o que está em jogo nas urnas em 25 de outubro
Do artista Orlando Guerreiro:
O pacto da vergonha foi selado à luz do dia e a resposta dos verdadeiros juristas e democratas deste país foi imediata e demolidora: após o ex-presidente Michel Temer gravar vídeo anunciando apoio a Flávio Bolsonaro (PL) neste segundo turno, o prestigiado advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, divulgou uma carta aberta histórica repudiando a aliança com a “mais profunda decepção e tristeza: ninguém pode apoiar a milícia e o fascismo!.
A manifestação contundente de Kakay — jurista respeitado por todo o meio jurídico nacional e que sempre manteve diálogo republicano com Temer — tocou na ferida ética e civilizatória da eleição. Como escreveu o advogado: o limite foi rompido ao se abraçar com um grupo político “completamente sem limite, despreparado, desonesto, entreguista, que cultua a tortura e que colocará o Brasil em um profundo abismo”.
A aliança entre Temer e o herdeiro do bolsonarismo escancara exatamente o que está em jogo nas urnas em 25 de outubro:
1. O casamento perfeito de quem odeia direitos trabalhistas: Não há surpresa alguma no apoio de Michel Temer a Flávio Bolsonaro: trata-se do encontro entre o pai da reforma trabalhista que precarizou o emprego no Brasil e a cúpula do PL que agora comanda o atraso no Congresso. Enquanto Temer implementou o arrocho e o congelamento de investimentos públicos, a bancada de Flávio Bolsonaro no Senado, liderada por Rogério Marinho, opera dia e noite para esvaziar o plenário e sabotar a PEC do fim da escala 6×1! Eles se unem porque compartilham o mesmo projeto: explorar o trabalhador até a exaustão para engordar os lucros da Faria Lima;
2. O alerta de Kakay sobre a explosão das conquistas sociais: Como bem alertou o jurista, uma vitória de Flávio Bolsonaro com a chancela de Temer não é alternância de poder — é a destruição programada de todas as garantias sociais construídas desde a redemocratização (passando pelos governos FHC, Lula, Dilma e pela própria Constituição de 1988). O plano do “Tesouraço” de Flávio, copiado da motosserra fracassada de Javier Milei, quer cortar verbas da Farmácia Popular, do Minha Casa, Minha Vida e do tratamento de câncer no SUS. É o desmonte do Estado de bem-estar social para deixar a população desamparada;
3. O refúgio dos operadores do compadrio: Temer tenta emprestar uma falsa roupagem de “institucionalidade” a uma candidatura envolvida até o pescoço no submundo do crime de colarinho branco. Flávio Bolsonaro é o político que voava no jatinho de luxo Falcon 2000 do banqueiro Daniel Vorcaro (preso pela PF pelo rombo de R$ 60 bilhões do Banco Master), operava esquemas de rachadinha na Alerj e selou conchavos secretos na surdina com ministros do STF para tentar livrar o clã da cadeia. O apoio de Temer é a foto de quem sempre se articulou nos porões contra a soberania do voto popular;
4. Democracia e soberania vs. A marcha da insensatez: Como resumiu Kakay em sua nota, a história cobrará caríssimo de quem normaliza o milicianismo e o extremismo: “Seu apoio será sempre lembrado e cobrado”. De um lado está Lula, que uniu democratas históricos, reduziu o desemprego para a mínima histórica de 5,3%, aumentou o salário mínimo real e colocou o Brasil na liderança internacional do G20 e dos Brics; do outro, uma coligação de oportunistas disposta a entregar as riquezas do país e massacrar os direitos da classe trabalhadora.
Não há meio-termo quando a democracia e a dignidade humana estão na mesa: o povo brasileiro não vai trocar comida, trabalho e respeito pela volta do abismo! Na sua visão: o repúdio corajoso de Kakay a Temer resume o sentimento de quem se recusa a aceitar o milicianismo e a retirada de direitos do povo no dia 25 de outubro?
(Com base na nota pública do jurista Kakay e cobertura da Revista Fórum)
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