O preço do deboche na política

Não se debate ideias com quem se recusa a ter ideias

Por Miss Marple:

O que esperar de um candidato à presidência que se comporta com sarcasmo e ironia, que não responde às perguntas que lhe são feitas e que não se inibe em mentir? Esperar o pior para a democracia.

Quando um candidato troca a resposta por deboche, a proposta por provocação e a verdade por uma mentira conveniente, ele não está apenas falhando em um debate. Ele está prestando um enorme desserviço à democracia.

Debate presidencial deveria ser exposição de ideias, confronto de projetos, de números, de soluções para um país complexo. Quando esse espaço é transformado em ringue, em espetáculo de vale-tudo verbal, quem perde não é o adversário no palco. Quem perde é o eleitor.

Sarcasmo e ironia constantes não são sinal de inteligência ou de preparo, são estratégia para fugir do que importa. Não responder é uma forma de desrespeitar quem perguntou e, principalmente, quem está em casa esperando uma resposta. E mentir, mentir sem qualquer pudor diante de milhões de pessoas, é romper o pacto mínimo de confiança que deve existir entre quem quer comandar e quem será comandado.

Não se debate ideias com quem se recusa a ter ideias. Vira apenas barulho, ofensa e cortina de fumaça. Por isso, fiquemos atentos. Muito atentos não só ao que é dito, mas a como é dito. Aos comportamentos, às posturas, aos gestos quando a pressão aumenta. É ali, no descontrole, no deboche, na mentira contada com naturalidade, que se revela o caráter. E é desse caráter que sairá o homem que comandará nosso país pelos próximos anos.

Comportamento num momento tão importante diz tudo.

Foto: Renato Pizzutto/Band