O afunilamento e a antropofagia da direita


Setores da direita retiraram mais de 110.000 votos do mercado eleitoral de Maringá
A não reeleição de Luiz Nishimori (PSD) por uma margem estreita de votos algo menos de 150, assinala como a reconfiguração das forças de direita, especialmente, em seu reduto eleitoral de Maringá, foi significativa para esse resultado de não reeleição.
A análise dos dados aponta para um fenômeno conhecido como “estreitamento de espaço” ou “afunilamento” no espectro político em que o candidato atua.
Entre os principais fatores que explicam esse impacto estão a estagnação da base local, o conhecido teto do voto, nesse contexto em 2022, ele obteve 7.177 votos em Maringá e em 2026, obteve 7.001 votos, mostrando que essa estabilidade indica que ele manteve seu núcleo, mas não teve capacidade de expansão.
Veja-se que o desempenho eleitoral de sua esposa Sra. Akemi Nishimori, que obteve 3.045 votos para vereadora em 2024, reforça que a capacidade do grupo político familiar na cidade possui um teto sólido, porém muito limitado para alavancar os votos marginais que faltaram na eleição federal.
Por outro lado, a queda significativa no voto estadual, foi relevante, uma vez que enquanto a base em Maringá se manteve quase idêntica, o total estadual de Nishimori caiu de 73.202 votos em 2022 para 63.347 votos em 2026. Essa perda de quase 10 mil votos no Paraná exigiria que ele compensasse o déficit crescendo em seu próprio reduto, no entanto, a alta concorrência local, dentro do mesmo espectro político, impediu esse movimento.
Nesse quadro podemos falar de “efeito tesoura” da direita em Maringá, uma vez que para compensar a queda estadual, Nishimori precisaria de votos de direita em Maringá, contudo, o eleitorado foi massivamente absorvido por três vertentes que atuaram como uma “tesoura” sobre sua candidatura:
A direita Bolsonarista do Sargento Fahur do PL com 30.674 votos, aqui Fahur monopolizou o voto ideológico de direita ligado à segurança pública e aos costumes.
Por outro lado, a direita Pragmática de Ricardo Barros do PP, com 28.146 votos, Barros absorveu o voto ligado ao setor produtivo e aos grandes grupos econômicos de Maringá, competindo diretamente com o perfil de Nishimori (PSD).
E a dita “Nova Direita” do Partido Novo, que contou com quase 52.000 votos, capturou o eleitorado de direita mais jovem, focado em pautas liberais, anti-establishment e de renovação.
Com esses dados, é possível verificar que esses setores da direita retiraram mais de 110.000 votos do mercado eleitoral de Maringá e é justamente dentro desses candidatos que Nishimori, que possui um perfil mais tradicional, centrão governista/pragmático, ficou imprensado e tesourado.
Esse cenário evidencia uma questão estrutural ainda mais profunda e relevante a se considerar quanto ao PSD, uma vez que este foi o partido de centro-direita que mais perdeu espaço nesta eleição, tanto em nível estadual quanto federal.
Isso sugere que estamos diante de um processo de verdadeira antropofagia no campo da direita, onde pautas com base no “tema de calibre”, ou seja, ideológicas, armamentistas e de costumes ganham tração e engolem o debate político, enquanto os temas focados nos setores produtivos perdem força.
A médio prazo, essa dinâmica prejudica a própria formulação de políticas para a economia real, haja vista que, afinal, conexões institucionais valiosas se perdem, e o setor produtivo se vê obrigado a estabelecer novas pontes com agentes políticos que, muitas vezes, surfaram na onda ideológica, mas possuem pouco ou nenhum conhecimento técnico sobre as demandas dessas áreas.
Foi justamente no meio dessa engrenagem de antropofagia local que o parlamentar, com seu perfil mais tradicional, governista e voltado ao pragmatismo produtivo, acabou espremido.
Como a diferença para a reeleição foi mínima, a altíssima competitividade desses candidatos sugou sua margem de sobrevivência.
Fica a lição sobre as novas circunstanciais e ventos do eleitorado, para uma próxima vez Luiz.
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